Carreador de fármaco

Os hidróxidos duplos lamelares (HDLs) são nanopartículas inorgânicas formadas por camadas sobrepostas de elementos como magnésio, ferro e alumínio. Estudos recentes têm sugerido que esse tipo de material, também conhecido como argila aniônica ou composto do tipo hidrotalcita, pode ser usado como carreador de fármacos.

Com apoio da FAPESP, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) testaram em ratos a biocompatibilidade de implantes contendo HDL. Análises feitas ao longo dos 30 dias seguintes ao procedimento cirúrgico mostraram que, além de não induzir inflamação, as nanopartículas inorgânicas aceleraram o processo de cicatrização do tecido.

Os resultados da pesquisa, feita durante o pós-doutorado de Vanessa Roberta Rodrigues da Cunha, foram divulgados na revista Scientific Reports.

“A maioria dos testes de toxicidade com esse tipo de material inorgânico é feita em culturas de células. Nós optamos por fazer o teste in vivo pensando em uma futura aplicação em humanos. Seria interessante, por exemplo, para o tratamento localizado da inflamação”, disse Vera Regina Leopoldo Constantino, professora do Instituto de Química (IQ) da USP e coordenadora do trabalho.

Como explicou a pesquisadora, partículas do tipo HDL podem ser encontradas na natureza ou sintetizadas em laboratório com alto grau de pureza, usando elementos presentes no organismo humano como zinco, magnésio e ferro – além de alumínio. As lamelas que formam o material possuem carga positiva e, para neutralizá-las, é necessário colocar entre elas uma espécie com carga negativa, como cloreto ou carbonato.

“O HDL formado por magnésio, alumínio e carbonato já é comercializado por um laboratório como um medicamento antiácido. A partir de 2001, começou a ser explorada na literatura científica a ideia de substituir o carbonato por um fármaco. Usar as lamelas para transportar esse fármaco dentro do organismo humano”, contou Constantino.

Vários estudos, relatou a pesquisadora, comprovaram que o fármaco fica mais protegido dentro das lamelas, o que pode ajudar a aumentar o tempo de prateleira do produto e promover uma liberação mais controlada do princípio ativo dentro do organismo, evitando picos que podem causar efeitos colaterais.

“Alguns estudos mostram ainda que, como as lamelas reduzem o processo de degradação do fármaco dentro do organismo, seria possível ao adotar esse carreador usar doses menores do princípio ativo, o que também contribui para a redução dos efeitos adversos. Antes de tudo, porém, é preciso comprovar que o material é biocompatível, ou seja, não vai induzir um processo inflamatório no organismo”, disse Constantino.

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Fonte: FAPESP

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