Nova classificação dos gliomas

Pesquisadores da USP Ribeirão Preto, juntamente com outros pesquisadores internacionais publicaram artigo sobre câncer de cérebro onde propuseram nova classificação para os gliomas, um dos tipos de cânceres mais fatais.

No consultório, para determinar qual será o tratamento do paciente, os médicos dividem esses tumores em quatro graus, de acordo com a gravidade do câncer: grau I, II, III ou IV. Pesquisadores propõe agora uma nova classificação, mais precisa, com sete tipos de tumores diferentes. Cada tipo sugere uma forma de tratamento e um tempo de sobrevida específicos.

A nova classificação foi fruto de análise genética e epigenética dos gliomas. A pesquisa foi coordenada por Houtan Noushmehr, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da Universidade de São Paulo (USP); por Antonio Iavarone, da Universidade de Columbia (EUA); e por Roel Verhaak, do Instituto MD Anderson (EUA). Foram analisados os genes ativos no tumor, a metilação do DNA, o número de cópias de genes nas células, as mutações genéticas, a expressão de RNA, a codeleção do cromossomo 1p19q, o comprimento dos telômeros e mutações no gene IDH1.

O artigo, publicado na revista científica Cell em 28 de janeiro de 2016, está disponível em: http://www.cell.com/.

Fonte: Ciência USP

Leucemia linfoblástica aguda ganha novo tratamento

O novo medicamento Oncaspar (pegaspargase) será mais uma opção para o tratamento de pacientes diagnosticados com leucemia linfoblástica aguda (LLA). O medicamento foi registrado como produto biológico novo, de acordo com a resolução RDC 55, de 16 de dezembro de 2010. A publicação do registro foi feita nesta segunda-feira (12/6).

Como Oncaspar atua?

Oncaspar contém pegaspargase, que é uma enzima que decompõe a L-asparagina, um componente importante das proteínas, sem o qual as células não podem sobreviver. As células normais podem fabricar asparagina para si próprias, ao passo que algumas células cancerígenas não o fazem. Oncaspar reduz o nível de asparagina nas células cancerígenas do sangue e impede as células cancerígenas de crescer.

Qual é a indicação do Oncaspar?

O produto Oncaspar (pegaspargase) foi aprovado para as seguintes indicações terapêuticas: “Oncaspar é indicado como um componente da terapia antineoplásica combinada de pacientes com leucemia linfoblástica aguda (LLA)”.

Fonte: Anvisa

Pesquisadores desenvolvem técnicas inovadoras para a detecção precoce de diversos tipos de câncer

Pesquisadores do campus de São Carlos da USP trabalham na criação de técnicas inovadoras para a detecção precoce de diversos tipos de câncer. Na tese Filmes nanoestruturados aplicados em biossensores para detecção precoce de câncer de pâncreas, o físico Andrey Coatrini Soares desenvolveu uma solução utilizando nanomateriais de baixo custo que, em breve, podem auxiliar profissionais de saúde em todo o País.

Membro do Grupo de Polímeros do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, Soares contou com a experiência de colegas na construção dos chamados biossensores, pequenos dispositivos que utilizam componentes biológicos como elementos de reconhecimento. O primeiro deles, elaborado por pesquisadores do grupo, foi desenvolvido para diagnosticar o câncer de mama.

Utilização de biossensores

A partir da descoberta de que o câncer de pâncreas tem uma alta taxa de mortalidade aliada a problemas em sua detecção precoce, o físico começou seu trabalho. Utilizando os chamados filmes de Langmuir – filmes com espessura de apenas uma molécula que se formam em uma interface líquido-gás – pesquisadores conseguem estudar a interação de materiais com uma membrana celular e, com isso, “podemos estudar medicamentos que possam agir na membrana celular e isso se tornar um antibiótico, por exemplo”, explica ele.

Com essa base são criados os biossensores, que estruturalmente são compostos de duas partes. “Você tem a chamada camada ativa e um elemento de transdução. O transdutor é algo que consegue ler a interação da camada ativa e transforma isso num sinal mensurável”, lista Soares. “A camada que você coloca, por exemplo, num eletrodo vai ser a responsável por identificar o que queremos medir, no caso, o câncer”, esclarece.  Fazendo testes com amostras de sangue – depositadas nos biossensores – de pacientes cedidas pela equipe do Hospital do Câncer de Barretos, o físico confirmou em sua tese que a identificação de pacientes com os biomarcadores tumorais foi bem-sucedida. No futuro, “pretendemos fazer um biossensor implantável. Para ficar dentro do organismo e o paciente não ter problemas”, prevê o pesquisador.

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Fonte: Jornal da USP

Autofagia é tema de evento

Ocelulas I Workshop Internacional Molecular Mechanisms of Autophagy and their Application to Diseases será realizado nos dias 1º e 2 de junho de 2017 pela Unifesp, em São Paulo.

O evento terá a participação de pesquisadores do Brasil e do exterior, incluindo pioneiros nas investigações sobre a sinalização e regulação autofágica e sua relação com doenças como câncer e neurodegeneração.

Entre os palestrantes confirmados está Guido Kroemer, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Paris Descartes.

As palestras focarão em aspectos básicos e aplicados de temas na área de autofagia e morte celular, interdisciplinaridade, interação e atividade de pós-graduação interinstitucional, troca de informação entre estudantes, pesquisadores e grupos de pesquisa no Brasil e exterior.

O encontro ocorrerá na Cinemateca Brasileira, localizada no Largo Senador Raul Cardoso, nº 207, Vila Clementino, e fará parte da programação científica do Congresso Acadêmico da Unifesp.

Inscrição e submissão de trabalhos para apresentação de pôsteres podem ser feitas até 26 de maio. As vagas são limitadas.

Mais informações: http://bit.ly/2pfgAyl

Fonte: FAPESP

Terapia mais eficaz contra o câncer

Estudo aponta caminho para terapia mais eficaz contra o câncer

Identificada substância que faz tumor voltar a crescer após radioterapia; novas pesquisas terão como meta sua inativação.

O fosfolipídeo PAF é uma substância produzida pelo corpo que pode estimular o crescimento e a multiplicação das células, sejam normais ou de tumores cancerígenos. Pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP realizada pelo biomédico Ildefonso Alves da Silva Júnior mostra que o tratamento do câncer por meio da radioterapia aumenta a produção do PAF, fazendo com que o tumor volte a crescer e a doença retorne de forma mais agressiva. Testes em laboratório indicam que o uso de substâncias que inibem o receptor do PAF podem tornar mais eficiente a terapia contra o câncer.

O nome do PAF vem da expressão “Fator Ativador de Plaquetas”, porque na década de 1980 os cientistas descobriram que ele estava associado à coagulação do sangue. “Na verdade, o PAF atua através do seu receptor, que está presente em diversas células do corpo humano, principalmente nas células do sistema imune”, conta o biomédico. “Sabe-se que ele é capaz de gerar sinais inflamatórios, atuando principalmente em casos de asma, sepse e obesidade, entre outras doenças.”

Por ser um receptor do tipo GPCR (Receptor Acoplado à Proteína G), ele é capaz de ativar várias funções dentro das células, estando envolvido principalmente em processos de crescimento e sobrevivência celular. “Como as células tumorais têm um crescimento exagerado, a pesquisa verificou se o receptor do PAF estava envolvido nesse processo”, diz Silva Júnior.

Os experimentos utilizaram várias amostras de culturas de células de tecidos humanos, algumas compostas de células normais e outras provenientes de tumores de carcinoma uterino, de cabeça e pescoço. “Enquanto as células normais expressam pouco o receptor, nos tumores a expressão é alta, sinal de que o PAF participa do processo de crescimento”, aponta o pesquisador. “Quando foi usado um antagonista, ou seja, uma substância que bloqueia o receptor, as células tumorais proliferaram menos. Com base nesse resultado, propomos o uso dos antagonistas do receptor do PAF como adjuvantes da terapia convencional do câncer.”

Estímulos estressantes

A produção do PAF pode ser aumentada por estímulos estressantes às células. “Por exemplo, uma grande exposição à luz do sol ou à fumaça de cigarro pode servir como estímulos. Nas terapias contra o câncer, a quimioterapia e a radioterapia funcionam como estímulo estressor para as células tumorais, levando a uma grande produção deste fator”, observa Silva Júnior. “Assim, embora a terapia faça o tumor regredir, a presença do receptor estimula o crescimento das células resistentes ao tratamento, levando à repopulação tumoral e fazendo o câncer voltar de forma mais agressiva.”

Quando o antagonista do receptor é utilizado com a quimioterapia e a radioterapia, a quantidade de células tumorais eliminadas é maior, o que torna o tratamento mais efetivo. “Nos testes realizados em modelos animais, o tamanho dos tumores foi menor naqueles animais que receberam tratamento radioterápico associado com antagonistas do PAF, o que indica a melhora no tratamento”, destaca o biomédico.

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Fonte: Jornal da USP

Biópsia líquida começa a ser usada para avaliar a evolução de tumores

Em 1847, o médico inglês Henry Bence Jones encontrou na urina de pessoas com mieloma múltiplo uma proteína característica desse câncer que atinge a medula dos ossos. De lá para cá, cerca de duas dezenas de proteínas mensuráveis no sangue vêm sendo usadas como indicadores de surgimento, crescimento ou regressão de tumores. Algumas delas se tornaram bastante conhecidas, como o antígeno prostático específico (PSA), sinalizador de tumores na próstata. São ferramentas úteis, embora não tenham a precisão desejada: em alguns casos, seus níveis podem estar elevados e não haver tumor; em outros, a doença pode existir e a proteína não estar detectável. Nos últimos anos, médicos e pesquisadores em centros de oncologia dos Estados Unidos, da Europa e do Brasil começaram a investigar formas de prever a evolução de certos tipos de câncer e o modo como respondem a alguns tratamentos por meio da detecção de fragmentos de DNA, de células e até de vesículas que o tumor libera no sangue.

Essa estratégia é a biópsia líquida, assim chamada por exigir apenas a coleta de sangue ou outros fluidos corporais, como saliva e urina. Ainda em fase de desenvolvimento, essa técnica é oferecida desde meados de 2016 em alguns hospitais de São Paulo e do Rio de Janeiro e desperta o interesse de médicos e pacientes, além do entusiasmo de empresas de biotecnologia, interessadas em um mercado de venda de equipamentos e insumos e de realização de testes que movimentou US$ 580 milhões nos Estados Unidos no ano passado e deve alcançar US$ 1,7 bilhão em 2021, segundo previsão da empresa de pesquisa de mercado MarketsandMarkets. É que a biópsia líquida promete vantagens em relação à biópsia tradicional, na qual se extraem, por punção com agulha ou por cirurgia, amostras do tecido doente.

Exames de imagem ajudam a identificar um provável câncer, mas é a análise que o médico patologista faz do material da biópsia que permite definir se um tumor é maligno e quais as suas características, informações fundamentais para se definir o tratamento. Apesar de mais informativa, a biópsia de um tecido é um procedimento invasivo que pode exigir internação e uso de anestesia. Em certos casos, opta-se por não fazê-la porque o tumor está perigosamente próximo de uma artéria importante ou um órgão vital. Outro complicador é que os tumores são formados por diferentes populações de células, que mudam com o tempo. Por causa dessa heterogeneidade e da variabilidade, a informação de que a biópsia tradicional oferece sobre o tumor pode não ser a mais completa nem a mais atualizada. Essas dificuldades têm impulsionado a busca de alternativas que sejam mais confiáveis do que a biópsia de tecido e mais simples de realizar, como a biópsia líquida. Por poder ser repetida com mais frequência, médicos e pesquisadores começam a ver essa técnica como possível opção para acompanhar a evolução de certos tipos de câncer, monitorar a resposta ao tratamento e identificar o reaparecimento de tumores antes que se tornem detectáveis nos exames de imagem.

A versão da biópsia líquida que detecta o material genético tumoral na corrente sanguínea – o DNA tumoral – já é adotada em alguns centros oncológicos do exterior e também em São Paulo e no Rio de Janeiro. A favor de seu uso, há evidências de que o DNA tumoral encontrado no sangue reflete melhor do que a biópsia tradicional ou os marcadores proteicos a atividade das células neoplásicas e as transformações pelas quais o câncer passa ao longo do tempo e do tratamento.

No final dos anos 1990, pesquisadores na França e nos Estados Unidos observaram que o sangue de pessoas com câncer continha mais DNA. Pouco depois, a bióloga brasileira Diana Nunes comprovou que a origem desse material era, de fato, o tumor. Ela fazia mestrado sob a orientação do bioquímico inglês Andrew Simpson no Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, em São Paulo, e, em parceria com o oncologista Luiz Paulo Kowalski, do A.C.Camargo Cancer Center, analisou o material genético extraído da saliva e do sangue de pessoas com câncer de boca. Em um artigo de 2001 no International Journal of Cancer, o trio provou que parte do DNA encontrado nesses fluidos apresentava o mesmo defeito que o das células do tumor,  portanto, só poderia ter vindo dele. “Foi o primórdio da biópsia líquida”, lembra o biólogo Emmanuel Dias-Neto, coordenador do Laboratório de Genômica Médica do A.C.Camargo, onde Diana trabalha.

O avanço das técnicas de sequenciamento genético na última década tornou mais fácil identificar as alterações que caracterizam os diferentes tumores e rastreá-las no sangue. O primeiro teste de biópsia líquida disponível comercialmente foi desenvolvido por uma empresa farmacêutica multinacional, a Roche, e liberado para uso nos Estados Unidos no início de 2015. Em junho do ano passado, um laboratório do Rio de Janeiro especializado em testes moleculares, o Progenética, passou a fazer biópsia líquida usando o kit importado.

O teste detecta no sangue fragmentos de DNA contendo uma alteração no gene EGFR específica do adenocarcinoma de pulmão, o tipo de câncer mais comum nesse órgão e o mais frequente entre os não fumantes. Conhecida pela sigla T790M, essa mutação indica que o tumor se tornou resistente ao tratamento com inibidores de tirosina-quinase de primeira e segunda gerações, medicamentos que agem sobre as células do tumor e poupam as sadias.

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Fonte: FAPESP

USP produz compostos artificiais com ação antitumoral

Compostos antitumorais, com potencial para uso na fabricação de medicamentos, vêm sendo planejados, sintetizados e estudados no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP). São íons complexos que penetram nas células cancerosas e atacam o DNA e as mitocôndrias. No DNA, causam danos oxidativos após se ligarem à sua estrutura. Nas mitocôndrias, as organelas responsáveis pela respiração celular, desacoplam o processo respiratório da síntese da ATP, adenosina trifosfato, o nucleotídeo que armazena a energia das células. O duplo ataque induz a apoptose, morte celular programada, podendo levar à eliminação do tumor.

Essa classe de compostos – que já foi objeto de três pedidos de patentes, depositados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) pela Agência USP de Inovação – vem sendo obtida no contexto dos Projetos Temáticos apoiados pela FAPESP: “Espécies complexas com potencial aplicação em bioinorgânica, catálise, farmacologia e química ambiental: concepção, preparação, caracterização e reatividade”, conduzido de 2006 a 2010, e “Desenvolvimento de compostos com interesse farmacológico ou medicinal e de sistemas para seu transporte, detecção e reconhecimento no meio biológico”, iniciado em 2011 e com vigência prevista até agosto de 2017. Os dois projetos são coordenados por Ana Maria da Costa Ferreira, professora titular do IQ-USP.

Os dois integram o portfólio de pesquisas do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), um dos 17 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP.

“Nosso ponto de partida foi a isatina, um metabólito de aminoácidos como o triptofano, encontrado em organismos vegetais, animais e humanos. Esse composto de origem natural foi modificado no laboratório por meio de reações com aminas e, depois, acrescido de íons de metais essenciais, como cobre e zinco, entre outros”, disse Costa Ferreira à Agência FAPESP.

A isatina já apresenta, ela mesma, reconhecidas atividades antifúngicas, antibacterianas, antivirais e antiproliferativas. As modificações feitas potencializam sua ação e, ao mesmo tempo, criam compostos muito estáveis, capazes de se preservar na corrente sanguínea e penetrar integralmente nas células cancerosas, para onde são atraídos.

 

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Fonte: FAPESP