FAPESP abre chamada de propostas para apoiar a realização de cursos de curta duração

A FAPESP e o British Council lançaram uma nova chamada de propostas para apoiar a realização de cursos de curta duração voltados ao desenvolvimento de habilidades em comunicação científica para pesquisadores.

A oportunidade, lançada no âmbito do programa Researcher Connect, tem apoio do Newton Fund e é oferecida a outros estados brasileiros pelas FAPs que aderiram à chamada de propostas, em articulação com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap).

Os cursos terão duração de três dias, com módulos de oito horas por dia, serão ministrados em inglês e treinarão grupos de, no mínimo, 20 pesquisadores de qualquer disciplina ou área multidisciplinar.

A composição dos cursos será aberta e pode ser customizada por cada instituição. Há oito opções de módulos, sendo um deles obrigatório: “Know your audience” (módulo obrigatório), “Abstracts”, “Academic Collaboration”, “Academic Writing”, “Digital Researcher”, “Effective E-mails”, “Persuasive Proposals” e “Presenting with Impact”.

Os cursos deverão ocorrer entre 6 de agosto de 2018 e 15 de março de 2019. Propostas para a chamada serão recebidas até 3 de junho de 2018.

A FAPESP e as demais FAPs participantes disponibilizarão até R$ 12,5 mil por curso.
Orientações específicas para proponentes de instituições do Estado de São Paulo estão disponíveis em www.fapesp.br/11659.

Informações gerais sobre a submissão de propostas estão disponíveis em: www.fapesp.br/11658.

Fonte: SIBiUSP

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Panorama da Febre Amarela

vacinasO alarme dos macacos

Controlada nas cidades pela vacinação, doença está dizimando populações de primatas silvestres, cujas mortes indicam as áreas de transmissão do vírus

CARLOS FIORAVANTI

Nas três últimas semanas de dezembro de 2017, o ecólogo Márcio Port Carvalho, pesquisador do Instituto Florestal de São Paulo, recolheu 65 bugios-ruivos (Alouatta guariba clamitans) mortos pelo vírus da febre amarela no Horto Florestal, parque estadual na zona norte da capital paulista, com outros biólogos e equipes da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Ambiental. “Praticamente todos os bugios do Horto morreram. Conhecíamos todos os 17 grupos”, conta ele.

Para os seres humanos, o vírus da febre amarela pode ser fatal, mas pode ser detido pela vacinação. Para os macacos, para os quais não há vacinas, está sendo catastrófico. Os órgãos públicos de saúde registraram a morte de mais de 2 mil animais – principalmente bugios – durante o surto de 2008 e 2009 no Rio Grande do Sul, mas o efeito do vírus deve ter sido mais amplo. Biólogos e epidemiologistas estimam que o número de primatas silvestres mortos por causa da febre amarela registrados em áreas urbanas corresponda a apenas 10% do total exterminado pela doença. Os outros 90% morrem no interior das matas, deterioram-se e não são encontrados. Calcula-se que cerca de 1,3 mil macacos devam ter morrido no Espírito Santo e 5 mil no estado de São Paulo em 2017.

As mortes dos macacos indicam as áreas de maior risco de transmissão do vírus da febre amarela e orientam as campanhas de vacinação (ver quadro). “Sem os macacos, estamos desprotegidos para perceber a chegada e os deslocamentos do vírus”, alerta o biólogo Júlio César Bicca Marques, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). “Antes de começar o monitoramento das mortes de macacos, o mapeamento da febre amarela dependia somente das pessoas que adoeciam e morriam”, diz o biólogo Renato Pereira de Souza, diretor técnico do núcleo de doenças de transmissão viral do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo. “Só apareciam os casos graves, porque as pessoas com os sintomas mais leves não iam até os hospitais para se tratar.” O Ministério da Saúde propôs em 1999 aos órgãos de saúde o acompanhamento das mortes de macacos como estratégia para identificar as novas áreas de transmissão do vírus e planejar as medidas de proteção dos moradores das cidades, principalmente das áreas próximas a matas.

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Fonte: FAPESP

Proteínas VRK1 e VRK2 são consideradas potenciais alvos para o tratamento de alguns tipos de câncer

Envolvidas na regulação da divisão celular, as proteínas VRK1 e VRK2 são consideradas potenciais alvos para o tratamento de alguns tipos de câncer, entre eles próstata, ovário e intestino.

Com o objetivo de entender melhor o papel dessas proteínas nas células humanas – em um contexto com e sem doença –, pesquisadores brasileiros trabalham no desenvolvimento de pequenas moléculas sintéticas capazes de modular sua atividade em modelos de estudo. Resultados recentes do trabalho foram divulgados na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

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Fonte: FAPESP

SciELO adota novas ações

scieloO Scientific Electronic Library Online (SciELO) – programa financiado pela FAPESP – adotará duas novas ações com o intuito de se alinhar ao movimento global de ciência aberta.

O primeiro é atingir a meta de 75% dos periódicos científicos que integram a plataforma serem editados em inglês, o que deve ocorrer em março de 2018. A segunda é adotar o chamado preprint, isto é, a publicação do manuscrito em um repositório que poderá receber comentários de outros pesquisadores, antes de o artigo ser submetido a periódicos científicos.

Os anúncios foram feitos durante a VII Reunião Anual da SciELO, realizada no auditório da FAPESP no dia 12 de dezembro. O evento contou com a presença de 145 editores dos 287 periódicos científicos que integram atualmente a plataforma.

“Isso consiste em um grande movimento de alinhamento com as boas práticas de comunicação da ciência aberta [que prevê que os artigos científicos e os dados que o embasaram estejam disponíveis para a comunidade científica], que tem como proposta um processo aberto, transparente e acessível. Vamos começar com o preprint em julho de 2018”, disse Abel Packer, coordenador-geral do SciELO.

Para que todo o processo de publicação de artigos científicos na plataforma seja aberto, transparente e acessível, também foi anunciada a parceria com o Center for Open Science (COS) – startup de tecnologia sem fins lucrativos que está desenvolvendo uma plataforma na qual cientistas podem realizar pesquisas de forma aberta.

A intenção é antecipar-se a uma tendência global entre as publicações científicas: aderir ao movimento ciência aberta. A Comunidade Europeia, por exemplo, terá todos os periódicos científicos em acesso aberto até 2020.

“A Comunidade Europeia está equacionando os preprints e a gestão dos dados das pesquisas abertos na proposta política para a ciência aberta chamada Open Science Policy Plataform (OSPP)”, disse Packer.

Para Packer, o objetivo do SciELO com o acesso aberto é tornar as revistas mais interessantes internacionalmente. “É uma maneira de as revistas se fortalecerem em termos de qualidade: quanto mais transparência houver, maior será a qualidade das publicações. É uma questão de sobrevivência das revistas que estarão alinhadas a todo um movimento global”, disse.

Publicando manuscritos

Preprint é a publicação do manuscrito antes da avaliação dos pares. O texto é depositado pelo autor em um servidor de artigos, geralmente organizado por temas, seguindo procedimentos públicos. Ao depositar os preprints, os autores podem solicitar comentários e acrescentar sugestões ao manuscrito, que é enviado posteriormente ao processo editorial formal de um periódico.

O SciELO está avaliando as estratégias que deve seguir para adotar a publicação de manuscritos, mas já definiu algumas ações. Entre elas, a plataforma vai trabalhar com critério de depósito direto baseado em um sistema automático de controle do histórico do autor, com identificadores como o Open Researcher and Contributor ID (ORCID) ou o Digital Object Identifier (DOI). A partir dessa identificação, será verificado o histórico de publicação do autor.

“Se o autor tem um histórico de publicação, o manuscrito é depositado diretamente no repositório e a moderação é feita posteriormente. Se o que ele publicou não for aceitável, o editor vai pedir a retirada do texto do repositório. Aqueles autores que não têm ORCID ou que não têm publicação ainda vão passar por moderação prévia”, disse Packer.

Entre as vantagens apresentadas na reunião do SciELO sobre a adoção dos preprints estão o acesso aberto de forma imediata ao artigo, a divulgação pública de trabalhos recentes e a maior velocidade nas publicações.

“Embora seja uma prática que estamos debatendo agora para a publicação em todas as áreas do conhecimento, já temos registros de preprints na década de 1960, depositados por pesquisadores da área da física. Acredito que seja necessário estender essa prática para outras áreas e publicações, pois ela é o caminho principalmente em uma sociedade conectada e cada vez mais em rede como a nossa. A ciência não foge disso”, disse Luciene Delazari, pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e editora-chefe do periódico Boletim de Ciências Geodésicas.

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Fonte: FAPESP

Câncer de tireoide: novas descobertas

O câncer de tireoide é uma doença com bons índices de cura na maioria dos casos. Em 5% dos pacientes, porém, o tumor torna-se refratário aos tratamentos disponíveis e capaz de se disseminar pelo corpo e causar a morte.

Em um estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), pesquisadores descobriram que, à medida que o tumor se torna mais agressivo, ocorre queda na expressão de 52 microRNAs – pequenas moléculas de RNA que não codificam proteínas, mas desempenham função regulatória em diversos processos celulares.

A investigação foi realizada durante o pós-doutorado de Murilo Vieira Geraldo, com apoio da FAPESP e supervisão da professora do ICB-USP Edna Teruko Kimura.

Os resultados foram divulgados em artigo publicado na revista Oncotarget.

“Os dados obtidos até agora sugerem que esses microRNAs podem ser explorados como supressores tumorais. A ideia seria restaurar o nível dessas moléculas no tumor e verificar se, desse modo, conseguimos impedir a progressão da doença”, disse Geraldo, que atualmente é professor do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Como contou o pesquisador, a maior parte dos experimentos de seu pós-doutorado foram feitos em um modelo de camundongo geneticamente modificado. Nesse animal, o gene BRAF encontra-se mutado somente na tireoide. A alteração é similar à encontrada frequentemente em pacientes com tumores na tireoide ou com melanoma.

“Quando essa mutação está presente, o câncer costuma ser mais agressivo. No caso dos camundongos, com apenas cinco semanas de vida eles já apresentam um tumor grande, com arquitetura tecidual característica de um carcinoma papilífero de tireoide. Esse modelo mimetiza o que acontece com esses 5% dos pacientes que morrem em decorrência da progressão da doença”, contou Geraldo.

O primeiro passo foi avaliar, à medida que a doença progredia nos camundongos, como se modificava a expressão dos microRNAs de uma maneira geral. Os cientistas então identificaram um grupo de moléculas com comportamento muito similar: altamente expressas nos animais mais jovens, com tumores menos agressivos, e reduzidas nos casos mais avançados.

Os cientistas então investigaram em qual região do genoma esses microRNAs eram codificados e descobriram que trata-se de um local conhecido como braço longo do cromossomo 14 (banda cromossômica 14q32).

 

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Fonte: FAPESP

UNICAMP abre inscrições para pós-doutorado no Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades

bolsas-de-estudoO Laboratório de Sinalização Celular do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC) oferece uma oportunidade de pós-doutorado com Bolsa da FAPESP.

A vaga é para o Projeto Temático “Efeitos antiobesidade de nutrientes por meio da ativação dos receptores hipotalâmicos FFAR1 e FFAR4” e o prazo de inscrição se encerra no dia 12 de dezembro de 2017. Com sede na Unicamp, o OCRC é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

O trabalho tem como principal finalidade contribuir para a identificação de uma estratégia alimentar que auxilie no controle da obesidade, além de ter potencial para a descoberta de drogas no combate à obesidade. O estudo visa avaliar o mecanismo de funcionamento dos receptores de ácidos graxos no hipotálamo, principal centro de controle homeostático da fome.

Além de doutorado concluído, o candidato à bolsa deve ter: experiência em análise morfológica por microscopia de luz e confocal; amplo conhecimento de técnicas em biologia celular (ênfase em cultivo de células precursoras neuronais do cérebro adulto de camundongos), análise de viabilidade e ciclo celular (bioquímicas e imunodetecção por citometria de fluxo), respirometria de alta resolução e biologia molecular (qRT-PCR, transfecção-siRNA, microarray). Além disso, espera-se que o candidato tenha habilidade de trabalho em ambiente multidisciplinar.

O bolsista terá a supervisão do professor Licio Augusto Velloso. O interessado pela oportunidade deverá enviar carta de interesse, duas cartas de recomendação, resumo da pesquisa desenvolvida durante doutorado e currículo para o e-mailobesity.ocrc@gmail.com.

Mais informações sobre a vaga estão disponíveis em www.fapesp.br/oportunidades/1868.

A oportunidade está aberta a brasileiros e estrangeiros. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 7.174,80 mensais e Reserva Técnica. A Reserva Técnica de Bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Fonte: FAPESP

Grupo da USP identifica genes relacionados à progressão do melanoma

Ao tratar linhagens celulares de melanoma humano com um composto sintético semelhante à curcumina – pigmento que dá a cor amarelo-alaranjada ao pó extraído da raiz da cúrcuma (Curcuma longa) – pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram genes que estão com a expressão alterada em tumores com potencial invasivo e em células malignas refratárias à quimioterapia.

Segundo os cientistas, caso novos estudos confirmem a importância desses genes para a progressão da doença e o ganho de resistência aos medicamentos, eles poderão ser explorados no futuro como biomarcadores para auxílio do diagnóstico ou até mesmo como alvos terapêuticos.

Resultados da pesquisa, apoiada pela FAPESP foram publicados na revista Pharmacological Research.

“Estudos anteriores de colaboradores já haviam demonstrado que o DM-1, composto análogo à curcumina, tem atividade antitumoral em baixas concentrações. Nosso objetivo foi entender quais genes essa substância modula e por que ela é tóxica para o melanoma e não para uma célula normal”, disse Érica Aparecida de Oliveira, pós-doutoranda na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP.

A pesquisa vem sendo desenvolvida sob a supervisão de Silvya Stuchi Maria-Engler, com a colaboração de Helder Nakaya e Gisele Monteiro – todos professores da FCF-USP.

Como explicou Oliveira, a literatura científica conta com algumas centenas de trabalhos atestando as propriedades antioxidantes, antitumorais, antimicrobianas e anti-inflamatórias da curcumina. No entanto, o uso terapêutico desse composto na forma natural é limitado devido à sua má absorção, metabolismo rápido e insolubilidade na água. Para resolver esse problema, cientistas têm desenvolvido análogos sintéticos com pequenas modificações estruturais que visam tornar a molécula mais estável no organismo.

O DM-1 – cujo nome completo é sodium 4-[5-(4-hydroxy-3-methoxyphenyl)-3-oxo- penta-1,4-dienyl]-2-methoxy-phenolate – foi sintetizado há alguns anos pelo professor José Agustín Pablo Quincoces Suárez, da Universidade Bandeirantes (Uniban).

“Experimentos com animais feitos por colaboradores mostraram que o tratamento com esse composto é capaz de promover uma redução no volume tumoral. O DM-1 também se mostrou tóxico para culturas de melanoma resistentes à quimioterapia”, contou Oliveira.

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Fonte: FAPESP