Disciplina  MIP 5722 – Pesquisa Bibliográfica Automatizada em Base de Dados de Medicina Clínica e Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias está com inscrições abertas

A Disciplina de pós-graduação, MIP 5722 – Pesquisa Bibliográfica Automatizada em Base de Dados de Medicina Clínica e Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias, ministrada pela Biblioteca em parceria com o Programa de Pós-graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias da FMUSP (PPG-DIP), está com inscrições abertas.

O objetivo é capacitar os alunos no acesso e utilização das fontes de informação e dos recursos de pesquisa bibliográfica automatizada, e em seu uso para as atividades acadêmicas vinculadas à pós-graduação e à investigação científica.

A disciplina será online e é direcionada a pós-graduandos de todas as áreas.

As inscrições devem ser feitas no Janus até 11 de julho e, após esta data, na secretaria do programa. 

As aulas acontecerão online de 9 a 27 de agosto. Segundas, Quartas e Sextas-feira das 8:30 às 12h.

Nº. de créditos: 3.

Alunos especiais devem procurar:
Secretária do Programa de DIP: Roseli Antonia Santo
Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 470 – andar térreo sala 06 – Cerqueira Cesar – São Paulo – SP. 05403-000
mipos2@usp.br | mipos1@usp.br
Tel./Fax: (0xx11) 3061-7347

Mais Informações: www.fm.usp.br/

Fonte: Biblioteca Central da FMUSP

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) constataram que o SARS-CoV-2 infecta e se replica em células das glândulas salivares

Elton Alisson | Agência FAPESP

Por meio de análises de amostras de três tipos de glândulas salivares, obtidas durante um procedimento de autópsia minimamente invasiva em pacientes que morreram em decorrência de complicações da COVID-19 no Hospital das Clínicas da FM-USP, eles verificaram que esses tecidos especializados na produção e secreção de saliva são reservatórios para o novo coronavírus.

Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram publicados no Journal of Pathology.

As descobertas contribuem para explicar por que o novo coronavírus é encontrado em grandes quantidades na saliva, o que viabilizou a realização de testes para diagnósticos da COVID-19 a partir do fluido, sublinham os autores do trabalho.

“É o primeiro relato de vírus respiratório capaz de infectar e se replicar nas glândulas salivares. Até então, acreditava-se que apenas vírus causadores de doenças com prevalência muito alta, como o da herpes, usavam as glândulas salivares como reservatório. Isso pode ajudar a explicar por que o SARS-CoV-2 é tão infeccioso”, diz à Agência FAPESP Bruno Fernandes Matuck, doutorando na Faculdade de Odontologia da USP e primeiro autor do estudo.

Em razão da alta infecciosidade do SARS-CoV-2 quando comparado a outros vírus respiratórios, eles levantaram a hipótese de que o novo coronavírus poderia infectar e se replicar em células das glândulas salivares e, dessa forma, surgir na saliva sem ter contato com secreções nasais e pulmonares.

Isso porque estudos internacionais anteriores mostraram que o ducto salivar apresenta o receptor ACE-2, com o qual a proteína spike do SARS-CoV-2 se liga para infectar as células. Mais recentemente, outros grupos de cientistas relataram ter observado em estudos feitos com animais que, além da ACE2, receptores como a serina protease transmembranar 2 (TMPRSS) e a furina, presentes nos tecidos das glândulas salivares, são alvos do SARS-CoV-2.

A fim de testar essa hipótese em humanos, foram feitas biópsias guiadas por ultrassom em 24 pacientes que morreram em decorrência da COVID-19, com idade média de 53 anos, para extração de amostras de tecidos das glândulas parótida, submandibular e menores.

As amostras dos tecidos foram submetidas a análises moleculares (RT-PCR) para identificação da presença do vírus. Os resultados indicaram a presença do vírus nos tecidos em mais de dois terços das amostras.

Já por meio de marcações imuno-histoquímicas – em que é colocado um corante em uma molécula que se gruda no vírus e nos receptores –, foi possível observar a presença do vírus in situ, no interior dos tecidos. E, por meio de microscopia eletrônica, foi detectada não só a presença, mas também o vírus se replicando nas células e identificado o tipo de organela que ele utiliza para essa finalidade.

“Observamos vários vírus aglomerados nas células das glândulas salivares – um indicativo de que estão se replicando em seu interior. Não estavam presentes nessas células passivamente”, afirma Matuck.

Boca como porta de entrada direta

Os pesquisadores pretendem avaliar, agora, se a boca pode ser uma porta de entrada direta do SARS-CoV-2, uma vez que os receptores ACE2 e o TMPRSS são encontrados em vários locais da cavidade, como em tecidos da gengiva e da mucosa bucal. Além disso, a boca tem uma área de contato maior do que a cavidade nasal, apontada como a principal porta de entrada do vírus.

“Por meio de uma parceria com pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, dos Estados Unidos, pretendemos mapear a distribuição desses receptores na boca e quantificar as replicações virais em tecidos bucais”, diz Luiz Fernando Ferraz da Silva, professor da FMUSP e coordenador do projeto.

“Pode ser que a boca seja um meio viável para entrada direta do vírus”, estima Matuck.

Outra ideia é verificar se idosos possuem mais receptores ACE2 na boca em comparação com pessoas mais jovens, uma vez que têm uma diminuição do fluxo salivar. A despeito disso, os pesquisadores encontraram mesmo em pacientes idosos, que têm menos tecidos salivares, uma alta carga viral.

“Esses pacientes quase não tinham tecido salivar, era quase tudo tecido gorduroso. Mas, mesmo assim, ainda apresentavam uma carga viral relativamente alta”, relata Matuck.

O artigo Salivary glands are a target for SARS-CoV-2: a source for saliva contamination (DOI: 10.1002/path.5679), de Bruno Fernandes Matuck, Marisa Dolhnikoff, Amaro Nunes Duarte-Neto, Gilvan Maia, Sara Costa Gomes, Daniel Isaac Sendyk, Amanda Zarpellon, Nathalia Paiva de Andrade, Renata Aparecida Monteiro, João Renato Rebello Pinho, Michele Soares Gomes-Gouvêa, Suzana COM Souza, Cristina Kanamura, Thais Mauad, Paulo Hilário Nascimento Saldiva, Paulo H Braz-Silva, Elia Garcia Caldini e Luiz Fernando Ferraz da Silva, pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/path.5679.
 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Exame do Instituto de Radiologia pode contribuir com diagnóstico precoce do Alzheimer

Um dos desafios é determinar quando um caso de perda cognitiva é ou não mal de Alzheimer, principalmente nos estágios iniciais dessa doença – Foto: NIH Image Gallery/Flickr-CC

O Instituto de Radiologia da USP (Inrad) realiza um exame inédito no Brasil para diagnóstico precoce do Alzheimer. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 1,2 milhão de brasileiros, cerca de 30% da população acima dos 85 anos, sofre ou poderá sofrer de Alzheimer. A Associação Americana da doença e a Associação de Medicina Nuclear recomendam esse exame a pessoas com perdas cognitivas antes dos 60 anos, para confirmar se existe ou não a patologia.

Um dos desafios é determinar quando um caso de perda cognitiva é ou não mal de Alzheimer, principalmente nos estágios iniciais dessa doença. Nessas situações, alguns métodos e novas tecnologias podem auxiliar a confirmar ou afastar, principalmente, o diagnóstico da demência de Alzheimer, como explica o professor Carlos Alberto Buchpiguel, do Departamento de Radiologia e Oncologia e diretor da Divisão de Medicina Nuclear e Imagem Molecular do Inrad do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

“O que detectamos não é a doença, e sim aquilo que é uma assinatura patológica. Ou seja: o que existe no tecido através de uma imagem molecular, mas sem ter que fazer uma biópsia”, diz o professor ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, em referência ao exame realizado no Inrad, que contribui na confirmação ou reforço do diagnóstico clínico da demência. “Se o exame for negativo, tem uma acurácia acima de 90% para afastar o diagnóstico.”

Entre outros fatores, esse quadro neurodegenerativo é caracterizado pelo depósito da proteína beta-amiloide no cérebro, identificada no exame. Mas, como destaca Buchpiguel, indivíduos sem grau de declínio cognitivo podem apresentar também, em menor proporção, o depósito dessa proteína de uma forma anômala. “É muito importante procurar um clínico para que se faça o diagnóstico. Na vigência de uma suspeita clínica, o exame ajuda a confirmar isoladamente, e tem que ser olhado com muita cautela”, alerta.

A expectativa, segundo o professor, é que esse trabalho desenvolvido no Hospital das Clínicas, pioneiro no sentido de mostrar as exigências científicas, possa atrair incentivos da iniciativa privada para trazer produtos que poderiam possibilitar uma abrangência maior desse tipo de exame.

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Fonte: Jornal da USP

O que o Brasil precisa fazer para controlar a pandemia

ONG da Paz – Foto: Fotos Públicas

Na Nature Medicine, Ester Sabino, Lorena Barberia e Silvia Figueiredo Costa pedem uma abordagem cooperativa e coordenada para lidar com a crise sanitária que se prolonga em altos índices de casos e mortes

As professoras da USP Lorena Barberia , Silvia Figueiredo Costa e Ester Sabino assinam uma carta publicada na revista Nature Medicine nesta segunda-feira, 21 de junho.

Dando um panorama do cenário brasileiro na pandemia, após mais de 14 meses de seu início, as cientistas lembram que os brasileiros ainda sofrem com milhares de mortes todos os dias, aumento de casos, superlotação de hospitais e alta letalidade do vírus. “Quem está na linha de frente entende que o Brasil está em guerra com a covid-19”, declaram. 

Entre os muitos fatores que explicam por que o número de vítimas da pandemia no Brasil é tão alto, elas incluem sua estreita conexão com os mercados mundiais, a vulnerabilidade socioeconômica de grande parte da população e a desigualdade persistente no País.

Mas um dos fatores mais cruciais da crise sanitária no Brasil, argumentam, é a falta de comando centralizado, planejamento estratégico e recomendações claras baseadas em evidências desde o começo.

Enquanto o quarto ministro da Saúde a ser nomeado desde o início da pandemia tenta orientar a resposta à crise, o Brasil continua sendo o epicentro da pandemia na América Latina. “A batalha contra o sars-cov-2 será perdida sem um comando central e deixará para trás um país terrivelmente dividido”, alertam.

Elas sugerem que o plano deve começar reconhecendo as ações, fora e dentro do próprio país, que estão dando certo. “Nos poucos casos em que foram impostos bloqueios mais rígidos, como em Araraquara (SP), e adotadas estratégias de vigilância voltadas para a atenção básica, como em São Caetano do Sul (SP), essas medidas se mostraram extremamente eficazes.”

As cientistas ressaltam o papel de líderes que possam construir consensos, e que uma comunicação clara e concisa com a população, mas sempre com base em evidências, é crucial. Para elas, os governantes precisam agir com o objetivo de construir confiança e cooperação, valorizando a ciência. “Não há mais espaço para os governantes priorizarem o oportunismo político e a divulgação de notícias falsas.”

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Fonte: Jornal da USP

Pesquisa busca atletas amadores com covid-19 para avaliação de saúde

Estudo desenvolvido por pesquisadores do grupo Coalizão Sport-Covid-19 vai realizar diversos exames clínicos, laboratoriais e de imagem para avaliar participantes

Atletas precisam ter sido diagnosticados com covid-19 há pelo menos dois meses – Foto: Pop Nukoonrat/123RF

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O Grupo Coalizão Sport-Covid-19, consórcio de grandes centros de pesquisa que envolve pesquisadores da Faculdade de Educação Física e Esporte (EEFE) e da Faculdade de Medicina (FM), ambas da USP, está buscando atletas amadores com diagnóstico confirmado de covid-19 há pelo menos dois meses e que tenham sintomas persistentes, tais como: piora de desempenho, fadiga, falta de ar, dor e palpitação, entre outros.

O objetivo é estudar a saúde geral dos participantes, por meio de exames clínicos, laboratoriais e de imagem que serão realizados no Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP e no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Interessados em participar devem entrar em contato pelo e-mail projeto.sportcovid@gmail.com ou pelo WhatsApp (11) 99484-1844, com Gisele Mendes Brito.

A pesquisa envolve 20 pesquisadores, sob liderança de Bruno Gualano, professor da FM, Ana Lúcia de Sá Pinto, do HCFMUSP, e Luciana Janot, do Albert Einstein.

Fonte: Jornal da USP

Projeto cria sistema para monitorar a circulação de variantes do SARS-CoV-2 na cidade de São Paulo

Karina Toledo | Agência FAPESP – Um sistema para monitorar a circulação de variantes do novo coronavírus na cidade de São Paulo está sendo implementado por meio de uma parceria entre a prefeitura local, a rede de laboratórios Dasa e a FAPESP.

A meta é analisar semanalmente 384 amostras de secreção nasofaríngea coletadas de moradores de todas as regiões da capital atendidos na rede pública de saúde e que testaram positivo para o SARS-CoV-2. No Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP), o material será submetido a um teste de RT-PCR capaz de identificar a presença de cinco cepas virais: Alfa (B.1.1.7, identificada no Reino Unido), Beta (B.1.351 ou sul-africana), Delta (B.1.617, da Índia), Gama (P.1, de Manaus) e Zeta (P.2, do Rio de Janeiro). Caso o resultado seja negativo para todas, a amostra será sequenciada para que seja possível identificar a linhagem presente.

Além disso, todos os meses, 25% das amostras que passaram pelo teste de RT-PCR serão selecionadas aleatoriamente para sequenciamento completo do genoma viral – trabalho que será feito pela equipe da Dasa.

“Já recebemos amostras coletadas no fim de maio e início de junho e começamos a análise. Também pretendemos estudar, retrospectivamente, material coletado desde janeiro deste ano. Um dos objetivos é tentar descobrir quando e por onde a variante P.1 entrou na capital e como ela se disseminou. E também se a cepa indiana já circula pela cidade”, conta a professora da USP Ester Sabino, que coordena a iniciativa ao lado de Carlos Fortaleza, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu.

As amostras para análise serão selecionadas de forma proporcional à população de cada região da cidade (norte, sul, leste, oeste, centro e sudeste), sem viés de gravidade. As equipes da prefeitura também fornecerão aos pesquisadores algumas informações sobre os pacientes, como sexo, idade, local de moradia, se já foi ou não imunizado, data da coleta da secreção nasofaríngea e de início dos sintomas.

“Como estamos trabalhando com dados amostrais, é preciso que eles sejam representativos da população e que estejam bem distribuídos no tempo e no espaço. Ou seja, os dados devem ser uma maquete do que está acontecendo no município. A ideia é que possamos olhar para essa miniatura perfeita e saber como está a distribuição de variantes no momento”, explica Fortaleza, que foi responsável pelo desenho do projeto.

Por meio de técnicas estatísticas – com base no tamanho da população paulistana e admitindo uma margem de erro de até 5% –, o grupo calculou que seria necessário analisar 384 amostras por semana para conseguir mapear a circulação de variantes para as quais não se sabe, a priori, a proporção em que estão presentes.

De acordo com Fortaleza, o objetivo do projeto é implementar um sistema de vigilância genômica sensível (que não deixe passar despercebida nenhuma variante em circulação), representativo (capaz de mostrar a proporção das variantes de forma semelhante à distribuição real), oportuno (capaz de produzir dados a tempo de medidas de controle serem adotadas) e flexível (adaptável a todas as situações) para embasar ações de combate à doença.

Luiz Eugênio Mello, diretor científico da FAPESP, conta que a iniciativa partiu da Prefeitura de São Paulo e foi “catalisada” pela FAPESP. “Buscamos transformar o que deveria ser um trabalho de rotina da prefeitura em um trabalho dentro das linhas apoiadas pela Fundação. Há neste projeto um elemento indutor importante e com ele pretendemos sugerir novos desenhos organizacionais, em que a academia, o governo e o setor privado interajam de forma rápida e efetiva”, conta.

Benefícios

Como destaca José Eduardo Levi, pesquisador do IMT-USP e da rede de laboratórios Dasa, a vigilância genômica representa um dos três pilares principais de combate à COVID-19, sendo os outros dois a vacinação e as medidas de testagem e isolamento social.

“O vírus está evoluindo bem na nossa frente e, com essa estratégia, poderemos identificar precocemente variantes que poderão gerar uma nova onda e intervir o mais rapidamente possível”, afirma.

Com base na sequência genômica, explica Levi, é possível inferir se uma nova cepa eventualmente detectada pode ser considerada uma “variante de preocupação” (VOC, na sigla em inglês). “Caso seja localizado em um bairro um cluster de amostras que sugiram preocupação, será possível, por exemplo, distribuir máscaras e reforçar medidas de isolamento e de vacinação de forma direcionada. Outro exemplo: se começarmos a observar em uma região casos graves em indivíduos vacinados, poderemos trocar o tipo de imunizante no local”, sugere.

Segundo Sabino, as análises realizadas no âmbito do projeto vão ajudar a entender a dinâmica de espalhamento de novas variantes em São Paulo e isso pode levar à identificação de hubs de disseminação do vírus que poderão ser alvos de intervenções do poder público.

“O fato de a FAPESP se colocar à disposição da política pública, algo que já vinha acontecendo por meio de programas como o PPSUS [Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde], representa algo muito importante: a ciência em benefício da vida. Essa junção de saberes – epidemiológico, virológico e de biologia molecular – com o trabalho prático dos técnicos da prefeitura permite construir pontes e, a partir delas, coisas muito importantes para a saúde pública podem surgir”, avalia Fortaleza.
 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Modelagem teórica da física propõe nova abordagem terapêutica para câncer com metástase

A estratégia, testada em camundongos, usa baixas doses de múltiplos medicamentos e atua em uma rede de sinais celulares, reduzindo os efeitos compensatórios, a adaptação ao tratamento e as recidivas

A pesquisa foi realizada em camundongos com câncer de mama e contou com cientistas da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, Faculdade de Medicina da USP e Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

Uma modelagem teórica da física ajudou um grupo de pesquisadores no desenho de uma nova abordagem terapêutica que reduz a expressão de uma rede de sinais de metástases tumorais. A estratégia, que utiliza baixas doses de múltiplos medicamentos, diminuiu os efeitos compensatórios (criação de novas vias para disseminação das células cancerígenas), a adaptação ao tratamento e a recidiva da doença. A modelagem é a base teórica do estudo genético feito em camundongos com câncer de mama no The Ben May Department for Cancer Research, da Universidade de Chicago, EUA, em parceria com a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e o Centro de Investigação Translacional em Oncologia, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), e a Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Um artigo sobre o assunto foi publicado na revista eLife, Limited inhibition of multiple nodes in a driver network blocks metastasis, em maio de 2021.

“O câncer é uma doença complexa e a fase metastática (quando as células se desprendem do tumor de origem e colonizam um novo tecido) se caracteriza por inúmeros processos bioquímicos típicos de estresse celular. Estes atuam em uma rede de múltiplas vias (como se fosse uma organização de tráfego de dados) por onde as células cancerígenas criam a capacidade de se movimentar para colonizar outros tecidos do corpo, via corrente sanguínea”, explica ao Jornal da USP o físico Alexandre Ramos, professor de Cálculo Matemático da EACH e o responsável pelo modelo matemático.

Para impedir a propagação do câncer, os tratamentos quimioterápicos convencionais utilizam altas doses de uma única droga ou combinações delas (coquetéis) para bloquear o funcionamento dessa rede e impedir a disseminação das células tumorais. Em geral, essas abordagens, além de serem altamente tóxicas aos pacientes, provocando efeitos colaterais indesejados (queda de cabelo, diarreia, feridas na boca, náuseas e vômitos, e até mesmo infertilidade), induzem à ativação de vias compensatórias dessa rede que habilitam as células doentes a se adaptarem ao tratamento e continuarem se multiplicando dentro desse processo metastático.

A abordagem física possibilitou  descrever e compreender o funcionamento dessa rede de fluxo de informações que acontece no interior das células, entender como ela é impactada pelos tratamentos quimioterápicos convencionais e elaborar quantitativamente uma nova abordagem que permitisse interferir na transmissão dos sinais dessa rede, de forma que pudesse contribuir na melhoria do tratamento contra o câncer na fase de metástase.

RKIP: proteína que regula vias de sinalização

Os primeiros passos da participação nesse projeto foram dados em 2016, em um congresso na Universidade de Chicago, quando o professor Ramos estreitou laços acadêmicos com a professora Marsha Rosner, da Universidade de Chicago, e que, na época já trabalhava com a proteína inibidora de quinase Raf (RKIP), uma supressora de metástases. A professora Marsha desenhou o estudo e a proposta terapêutica e os apresentou a seu orientando, Ali Ekrem Yesilkanal, que realizou os experimentos e a análise de bioinformática. Aqui no Brasil, a parte teórica do modelo físico foi coordenada pelo professor Ramos e teve a contribuição de seu orientando Alan Utsuni Sabino, do Programa de Pós-Graduação em Oncologia da FMUSP.

O professor Ramos explica que, em quantidades adequadas no organismo, a RKIP cumpre funções importantíssimas no processo de impedimento da disseminação do câncer, bloqueando a sinalização dessa rede de sinais, fazendo com que as células deixem de produzir insumos (diversas proteínas associadas ao processo de mobilidade celular) necessários para se movimentarem e causar a metástase. “A RKIP reprime os efeitos da sinalização de estresse nas células”, diz o professor Ramos.

A proteína RKIP cumpre funções importantíssimas no processo de impedimento da disseminação do câncer – Foto: Arquivo pessoal

Segundo o pesquisador, em condições normais, a proteína RKIP está presente em altas quantidades nas células saudáveis, porém, quando o câncer em estágio mais avançado acontece, essa proteína tende a cair a níveis baixíssimos e se eleva, por outro lado, o nível de outra proteína chamada BACH1.  Ao contrário da RKIP, ela está associada ao processo de ativação de expressão de genes ligados à metástase, ou seja, a BACH1 estimula a movimentação das células cancerígenas. “Seria algo semelhante ao que acontece quando nos machucamos: as células em torno do machucado passam por uma transição e começam a adquirir capacidade de se multiplicar para recuperar o tecido ferido”, compara.

Voltando aos quimioterápicos, o raciocínio foi se a administração de altas doses de medicamentos em pacientes com câncer que interrompiam totalmente o fluxo de informação dessa rede não estava sendo tão eficaz, então foi proposto um tratamento com múltiplas drogas a baixas doses. 

“O modelo matemático para o esquema de funcionamento dessa rede foi usado para descrever o resultado decorrente da redução das dosagens de medicamentos e para prever, qualitativamente, a emergência dos efeitos compensatórios de ativação de redes alternativas”, explica o pesquisador ao Jornal da USP.

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Fonte: Jornal da USP

Programa Saúde Digital define novo panorama pós-Covid no HCFMUSP

O Programa Saúde Digital do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) é fruto de uma parceria com o governo britânico, que integra o programa de cooperação em saúde do Reino Unido com o Brasil, e pretende desenvolver soluções mais eficazes de atendimento e acompanhamento dos pacientes do HCFMUSP.

A busca pela assistência que ofereça mais saúde de qualidade para os pacientes da instituição ganhou força com as iniciativas que surgiram no início da pandemia da Covid-19. Como legado, tais iniciativas projetam um futuro promissor na jornada do paciente com o uso de tecnologia, proporcionando inúmeros benefícios e expansão para toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Ao todo são 20 iniciativas que compõem o programa para implantação por todo Complexo HCFMUSP até o ano de 2022, tais como, Teleconsulta de Seguimento, Formação em Saúde Digital, Visita Remota de Pacientes, entre outros.

Assista ao vídeo do Prof. Dr. Giovanni Guido Cerri, Titular do Departamento de Radiologia da FMUSP, Presidente do Conselho Diretor do Instituto de Radiologia (InRad) e da Comissão de Inovação do HCFMUSP, e entenda mais sobre o Programa Saúde Digital do HCFMUSP.

Fonte: FMUSP

Hospital das Clínicas pretende atender 40% dos pacientes de forma remota

Atendimento por videoconferência realizado por profissionais do HC – Foto: Divulgação/HCFMUSP

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) e o governo do Reino Unido fecharam uma parceria para desenvolver o Plano de Saúde Digital, uma colaboração que faz parte do Better Health Programme (BHP) para desenvolver soluções digitais que aumentem a eficiência e qualidade no atendimento e acompanhamento dos pacientes do HC e que possa ser implantado em toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) no País.

O programa terá duração de dois anos, entre 2021 e 2022, e se dá em torno de três pilares: melhorar o atendimento na atenção primária; levar a implementação das ferramentas digitais desenvolvidas a todos os níveis de atendimento na rede de saúde e capacitar profissionais do sistema público de saúde e se adaptar às realidades regionais do País, especialmente na atenção primária.

Uma das metas é realizar 40% dos atendimentos ao paciente do HC de forma remota, desde a marcação de consultas ao acompanhamento de pacientes crônicos. Outra finalidade é implantar o piloto do programa de atenção primária remota em dez municípios. Além disso, também pretende-se criar dez linhas de cuidados digitais dentro do HC; e realizar telerregulação de urgência e emergência de 30 mil pacientes por ano.

Para o professor Giovanni Guido Cerri, presidente do Conselho Diretor do Instituto de Radiologia (InRad) e presidente da Comissão de Inovação do HCFMUSP, “a realização do Plano de Saúde Digital resultará em avanços significativos na melhoria do atendimento prestado à sociedade brasileira, com a criação de modelos de soluções digitais replicáveis para melhorar a experiência do paciente e ter mais eficiência em toda a jornada de atendimento”.

Projetos escolhidos

O Plano de Saúde Digital teve início com a seleção das iniciativas em saúde digital dentro das instituições do complexo HC. Foram escolhidos 20 projetos que envolvem teleconsultas, digitalização de etapas do atendimento ao paciente, visitas remotas, teleconsultoria, telemonitoramento de pacientes crônicos e formação de profissionais de saúde para telemedicina.

O projeto integra todos os institutos que formam o Hospital das Clínicas e será conduzido por um comitê gestor formado pelos professores Cerri, Carlos Carvalho, chefe da pneumologia do Instituto do Coração; Eurípedes Miguel, chefe titular do Departamento de Psiquiatria; e Fabio Jatene; vice-presidente do Conselho Diretor do Instituto do Coração.

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Fonte: Jornal da USP

FMUSP tem acesso ilimitado à Biblioteca Fast Facts

A Editora Karger disponibilizou para a Faculdade de Medicina da USP acesso ilimitado e permanente à sua Biblioteca Fast Facts, que é uma série de livros clínicos manuais médicos premiada pela British Medical Association.

Com mais de 100 títulos disponíveis, a coleção oferece Conteúdo Premium visando:

  • melhorar a prática clínica e promover a saúde
  • abordar lacunas de conhecimento em saúde
  • facilitar diálogo entre profissionais de saúde e pacientes
  • potencializar a rede global de hospitais e instituições acadêmicas

A coleção abrange as seguintes áreas:

ÁreaNº de livros
Oncologia31
Hematologia27
Neurologia15
Gastroenterologia13
Sistema respiratório11
Urologia9
Dermatologia8
Medicina8
Ginecologia8
Sistema cardiovascular7
Quimioterapia6
Psiquiatria6
Reumatologia6
Endocrinologia5

Como acessar: Acesso a partir de um computador na FMUSP ou por VPN > www.karger.com/fastfacts > Fast Facts > Fast Facts Titles > escolher assunto > escolher livro > You already have online access to this title

  • livros recentes – 2021
  • livros mais antigos – 2003

Karger Publishers é uma editora acadêmica de revistas e livros científicos e médicos. É um grupo sólido, fundado na Alemanha em 1890. A sede atual é na Basiléia, na Suíça.

Em comemoração ao seu centenário a Editora publicou, em inglês, a obra “De humani corporis fabrica“, de Vesalius. A Biblioteca da FM foi contemplada com os dois volumes da obra que encontram-se expostos na sala de obras especiais da Biblioteca.

Acesse – www.karger.com/fastfacts 

Fonte: Biblioteca FMUSP