Dificuldades no controle da pandemia aumentaram transmissão de bactéria resistente em ambiente hospitalar

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O elevado número de casos graves nos picos da pandemia de covid-19 provocou um colapso no sistema de saúde. Entre as principais dificuldades enfrentadas estavam a superlotação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), alta carga de trabalho para os profissionais de saúde, falta de profissionais experientes no atendimento em UTI, aumento do uso de antimicrobianos e ausência de recursos (medicamentos e insumos). Esse cenário, de acordo com estudo feito por pesquisadores da USP, contribuiu para o aumento do número de pacientes com doença causada por Klebsiella pneumoniae, bactéria extensivamente resistente ao uso dos antibióticos. Essa conclusão foi obtida a partir da análise de amostras de sangue, secreção traqueal, urina e outros fluidos coletadas de 26 pacientes positivos para a bactéria e que estavam internados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP entre setembro e novembro de 2020, que corresponde ao primeiro pico de casos da covid-19 no Brasil.

Os casos foram confirmados nas UTIs de covid-19, na UTI de pacientes sem covid-19 ou nas enfermarias clínicas e cirúrgicas. “Observamos um aumento expressivo dos casos de Klebsiella pneumoniae extensivamente resistente nas UTIs que foram dedicadas ao atendimento da covid-19. Ao analisar amostras de outros locais, como enfermarias, por exemplo, os casos diminuem”, conta o médico infectologista e chefe da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do HCFMRP e um dos coordenadores do estudo, Gilberto Gambero Gaspar.

A pesquisa analisou três vertentes importantes, segundo Gaspar, a questão epidemiológica a partir dos casos clínicos e da cadeia de transmissão, estudos microbiológicos e de suscetibilidade a drogas, e análises moleculares através do sequenciamento completo do genoma das bactérias; “tudo para tentar entender um pouco mais da transmissão”, explica o infectologista.

Transmissão cruzada e mortalidade

Os pesquisadores apontam que, possivelmente, são resultado da transmissão cruzada, contaminação entre pessoas, de superfície e entre objetos e pessoas, durante a pandemia. E, entre as possíveis causas, a alta sobrecarga dos pacientes com ventilação mecânica na UTI, necessidade de a equipe de saúde realizar manobras para evitar a baixa oxigenação no sangue (pronação, que significa deitar paciente de barriga para baixo), alta carga de trabalho dos profissionais da saúde e pacientes em estado extremamente crítico.

Outro destaque do estudo apontado pelos pesquisadores é o índice de mortalidade de 30,7% entre os infectados analisados no estudo, e o fato de 80% dos pacientes que morreram terem ao menos uma comorbidade. “Isso chamou muito a atenção, pois mostra a dificuldade de tratamento, ou seja, temos pouco arsenal terapêutico com eficácia considerada boa para esses casos, o que leva o paciente a um tratamento empírico, que é o uso inicial de antimicrobianos baseado em bactérias mais prováveis antes do diagnóstico microbiano ser finalizado”, afirma o médico.

Ainda de acordo com Gilberto, os resultados reforçam a importância das práticas de higienização das mãos, dos programas de limpeza do ambiente e do uso racional de antimicrobianos. “No cenário da pandemia, observamos o uso abusivo de antimicrobianos, muitas vezes pela dificuldade de diferenciação diagnóstica entre a covid-19 grave e um quadro de pneumonia bacteriana associada”, finaliza.

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Fonte: Jornal da USP

Estudo internacional identifica três compostos naturais capazes de impedir a replicação do coronavírus

Compostos identificados por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e da Alemanha conseguiram impedir mais da metade da replicação viral induzida pela proteína PLpro, um alvo terapêutico ainda pouco explorado.


Laboratório Cell Culture Facility for Vector and Animal Research do Departamento de Parasitologia do ICB-USP, onde foram conduzidos parte dos estudos.

Em parceria com pesquisadores da Universidade de Hamburgo e do Deutsches Elektronen-Synchrotron (DESY), ambos da Alemanha, o laboratório Unit for Drug Discovery do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), coordenado pelo Prof. Carsten Wrenger, identificou três possíveis compostos para o tratamento da covid-19. Trata-se de compostos naturais selecionados em uma triagem com 500 fármacos, que se mostraram promissores em inibir a proteína PLpro – uma das enzimas responsáveis pela proliferação do SARS-CoV-2.

Publicada na Communications Biology, revista do grupo Nature, a pesquisa mostrou que os compostos conseguiram inibir a ação dessa enzima entre 50% a 70%. Os testes foram realizados em células VERO e comparados com um grupo de células que não recebeu os compostos. VERO é uma célula de macacos que possui similaridades com a célula humana, e que se expande e replica com mais velocidade.

“Ao inserirmos os compostos nas células infectadas, constatamos que eles impediram a replicação do coronavírus ao atingir a PLpro, que tem a capacidade de inativar as células do sistema imunológico e que podem levar a casos graves da doença. Como um percentual considerável dos vírus não conseguiu se replicar, as partículas virais infecciosas foram eliminadas”, explica Edmarcia Elisa de Souza, pós-doutoranda do ICB-USP. “Vale ressaltar que os compostos não apresentaram toxicidade. Ou seja, não houve dano à integridade das células, principalmente nas concentrações baixas às quais os compostos apresentaram atividade antiviral”, complementa.

Novo alvo terapêutico – A descoberta deste alvo terapêutico é muito relevante, pois trata-se de uma alternativa ao que vem sendo feito na ciência. “Se você buscar na literatura, você vai encontrar pouca coisa sobre a PLpro, então todo novo conhecimento sobre ela é importante. Saber que é possível inibir a replicação do SARS-CoV-2 por meio dela é uma grande descoberta porque a maioria dos estudos para tratamentos da covid-19 tem como alvo as proteínas Spike e 3CL. Conseguimos mostrar que existem mais opções caso esses estudos não avancem”, reforça Edmarcia.

O próximo passo é fazer testes em modelos animais para avaliar melhor a eficácia dos três compostos, e depois avançar para os testes clínicos. Caso os testes sejam bem-sucedidos, será a primeira utilização de um novo leque de moléculas. “Os compostos foram isolados da natureza. Não há nenhum registro sobre a utilização deles a não ser em pesquisas primárias. A eficácia deles abre a possibilidade para novas terapias”.

Seleção de compostos – No total, foram avaliados seis compostos, que foram selecionados inicialmente pela equipe de pesquisadores da Alemanha. “Nossos colaboradores na Alemanha observaram o grau de interação entre os compostos e a PLpro. Isso foi feito por meio de cristalografia de raio-x, um método inovador e ainda pouco difundido”.

A cristalografia permite fundir o composto à proteína e observar se pequenos cristais foram produzidos nessa união. Cristais esses que não poderiam ser vistos à luz dos microscópios tradicionais. “Analisando os cristais conseguimos produzir modelos tridimensionais das estruturas para identificar se elas se ligam e onde isso acontece. Quanto mais pontos de ligação entre elas, maior a afinidade”, afirma o Prof. Christian Betzel, líder do estudo pela Universidade de Hamburgo e professor visitante do ICB-USP.

A eficácia dos três compostos contra o SARS-CoV-2 foram posteriormente analisadas em células VERO infectadas no BSL3 Cell Culture Facility for Vector and Animal Research do Departamento de Parasitologia do ICB-USP. Trata-se de um laboratório de nível 3 de Biossegurança (NB3), que confere proteção aos pesquisadores que trabalham com o cultivo de micro-organismos que oferecem risco à saúde humana, como o coronavírus.

Fonte: ICB/USP

Como as vacinas em spray nasal podem mudar a pandemia

Estudante recebe a vacina em spray nasal contra a gripe H1N1 em Washington.
Um estudante em Washington DC recebe uma vacina de spray nasal contra influenza, em 2009. Vacinas intranasais e orais para COVID-19 estão agora em desenvolvimento. Crédito: Hyungwon Kang/Reuters

Os sprays são o futuro das vacinas COVID-19?

Essa é a esperança de dezenas de grupos de pesquisa e empresas que trabalham em novos tipos de inoculação. Em vez de depender de injeções, eles usam sprays ou gotas administrados pelo nariz ou pela boca que visam melhorar a proteção contra o vírus SARS-CoV-2.

Esta semana, uma versão inalada de uma vacina COVID-19, produzida pela empresa chinesa CanSino Biologics em Tianjin, foi aprovada para uso como dose de reforço na China.

É uma das mais de 100 vacinas orais ou nasais em desenvolvimento em todo o mundo. Em teoria, essas vacinas poderiam estimular as células imunológicas nas finas membranas mucosas que revestem as cavidades no nariz e na boca onde o SARS-CoV-2 entra no corpo. Os desenvolvedores de vacinas esperam que essas vacinas ‘mucosas’ previnam até casos leves de doença e bloqueiem a transmissão para outras pessoas, alcançando o que é conhecido como imunidade esterilizante. Algumas vacinas de mucosa já estão aprovadas para outras doenças, incluindo uma vacina pulverizável contra a gripe.

Evidências em animais apoiam a ideia de que a imunidade esterilizante pode ser induzida contra o COVID-19, embora os dados de humanos sejam escassos. A Nature explica por que as vacinas mucosas podem ajudar a anular o SARS-CoV-2 e o que significam as últimas descobertas.

Por que as vacinas mucosas podem ser melhores que as vacinas convencionais?

As vacinas COVID-19 atualmente em uso fazem um bom trabalho na redução da gravidade da doença e na prevenção da hospitalização, mas não bloqueiam tão bem doenças leves ou transmissão.

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Fonte: Nature

A cidade importa: disseminação e combate da COVID-19 na sociedade urbanizada  

Logo do periódico Revista Brasileira de Estudos de População

A pandemia da COVID-19 trouxe enormes desafios para a ciência mundial. Afinal de contas, mais de 7 bilhões de pessoas aguardavam por respostas rápidas que pudessem mitigar ou mesmo decretar o fim da pandemia. Estava claro que este evento de proporções globais exigia o trabalho e a reflexão não apenas de cientistas dedicados a produção de vacinas, ou de pesquisadores do campo da epidemiologia. Era preciso um esforço interdisciplinar para compreender as múltiplas dimensões da pandemia. Nesse contexto, mudamos imediatamente os rumos das nossas agendas de pesquisa e aceitamos o desafio de refletir como a geografia urbana pode contribuir para o combate da COVID-19.

No texto A cidade importa: urbanização, análise regional e segregação urbana em tempos de pandemia de Covid-19, publicado na Revista Brasileira de Estudos de População (REBEPop), buscamos responder a seguinte pergunta: por que as cidades importam nas discussões sobre o combate à COVID-19? Para responder esta pergunta, precisamos avaliar não apenas a cidade em si, ou seja, seus aspectos intra-urbanos, mas também, questões de natureza regional, a exemplo de redes urbanas e áreas de influência da cidade. Além desse olhar multi-escalar, entendemos ser fundamental, no caso das cidades brasileiras, adicionarmos um aspecto essencial nessa discussão: a desigualdade social e suas repercussões espaciais no espaço urbano.

Os teóricos da cidade, a exemplo de Jane Jacobs, Edward Soja e, mais recentemente, Allen Scott e Michael Storper, destacam que a proximidade e a densidade são aspectos fundamentais que explicam o desenvolvimento e o crescimento das cidades na história. Curioso imaginar que estas mesmas características associadas ao progresso das cidades (aglomeração, proximidade e densidade) acabam por aumentar a vulnerabilidade das populações às pandemias. Na sociedade urbana, pessoas estão mais próximas nas cidades (do ponto de vista espacial, ao menos), e cidades estão mais próximas umas das outras. E não é segredo para ninguém que o “sucesso” da COVID-19 esteve intimamente associado a isso.

Durante grandes pandemias, a exemplo dessa que estamos vivendo, cidades diferentes podem produzir resultados epidemiológicos diferentes? Ao comparar a compacta Nova Iorque com a extensa e automotiva Los Angeles demonstramos que a velocidade e a intensidade de disseminação do vírus foram bem distintas nestas duas cidades. De fato, estamos falando de cidades bem diferentes. Em Nova Iorque, sobretudo em Manhattan, percebemos a força do transporte ativo e coletivo, com a valorização de espaços públicos e da lógica do encontro para os cidadãos. Em Los Angeles, cidade mais congestionada dos EUA, segundo o índice da Tomtom Internacional 2019, onde apenas 12% dos domicílios não apresentavam carros em 2018 (US Census Bureau, 2018), boa parte das áreas públicas foram projetadas para oferecer suporte à circulação de carros e veículos automotores.

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Fonte: SciELO

The Lancet Summit: Big data e IA na preparação para pandemias

27 a 28 de outubro de 2022 | On-line e sob demanda

The  Lancet  Summit: Big data e inteligência artificial na preparação para pandemias é apoiado conjuntamente pela  The Lancet Digital Health ,  eBioMedicine e  The Lancet Regional Health – Western Pacific .

O gerenciamento do COVID-19 e das doenças infecciosas é uma prioridade global nas próximas décadas. As comunidades clínicas e de pesquisa estão comprometidas em revisar a resposta global à pandemia de COVID-19 e uma parte fundamental tem sido o uso sem precedentes e a rápida escala da tecnologia.

Esta conferência permitirá que diversas partes interessadas discutam oportunidades para novos sistemas de alerta de pandemia com base em abordagens de modelagem usando IA; avanços na vigilância do mundo real e rastreamento da propagação de doenças; IA para triagem de drogas e diagnóstico rápido; e avanços no tratamento remoto e telessaúde.

A pandemia forçou provedores de saúde e governos em todo o mundo a acelerar o desenvolvimento de ferramentas de IA e ampliar seu uso na medicina, às vezes até antes de provar que funcionam. Esta conferência apoia pesquisas que visam alavancar melhor a IA para criar ferramentas equitativas e precisas para resposta à pandemia. Esta conferência clínica de amplo alcance conecta tecnologia de IA de ponta com tópicos médicos de interesse da saúde humana.

A conferência atrairá pesquisadores e médicos especializados em doenças infecciosas, bem como especialidades relacionadas, como saúde mental e cardiologia. Esta reunião será verdadeiramente multidisciplinar, atraindo profissionais de saúde, formuladores de políticas e especialistas técnicos, como desenvolvedores e engenheiros computacionais.

Temas da conferência:

  • IA na preparação para pandemia
  • IA em diagnóstico
  • Wearables em diagnóstico
  • Vigilância de palavras reais
  • Regulação e avaliação de IA

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Fonte: The Lancet

Plano de controle da pandemia implantado na Escola de Enfermagem é referência para enfrentar novos surtos

Estratégia foi construída e operacionalizada por equipe técnica da USP e atualizada de acordo com o avanço da doença ou mudanças epidemiológicas, podendo servir de modelo para outras instituições de ensino

Plano Estratégico de Controle da Pandemia do Coronavírus, elaborado e operacionalizado por uma equipe técnica da Escola de Enfermagem (EE) da USP, poderá servir de guia para manejo e enfrentamento de surtos futuros de doenças transmissíveis em instituições de ensino superior. A experiência do grupo mostrou que a retomada de atividades presenciais requer planejamento detalhado de ações e a composição de um grupo local condutor ágil, que tenha atuação rápida na quebra da cadeia de transmissão da infecção dentro da instituição. As ações foram implementadas entre maio de 2020 e junho de 2021, período que incluiu o auge da pandemia até a volta completa das atividades presenciais da Escola de Enfermagem.

“O engajamento de toda a comunidade – cerca de 800 pessoas entre professores, pesquisadores, estudantes, servidores técnico-administrativos, pessoal da limpeza, além dos que circulavam pelo local – , o balizamento das ações em evidências científicas e a rapidez do grupo nas respostas para equacionar problemas do cotidiano foram essenciais para o sucesso do trabalho”, relata ao Jornal da USP a professora Maria Clara Padoveze, uma das coordenadoras do Grupo de Trabalho (GT) e ex-membro do grupo de pesquisa Who Covid-19 Infection Prevention and Control Research Working Group, junto à Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Por se tratar de uma Escola de Enfermagem, que forma profissionais da saúde com expertise em abordagens de doenças infecciosas, prevenção de riscos, segurança de pacientes e gestão de pessoas, estávamos capacitados para montar um plano de intervenção emergencial”, diz. A professora Maria Clara é uma das autoras do artigo Abordagem passo a passo para reabertura de instituição de ensino superior brasileira na pandemia de COVID-19, publicado na Revista Brasileira de Enfermagem, edição 75, em junho de 2022, que descreve em detalhes a experiência do Grupo de Trabalho.

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Fonte: Jornal da USP

Artigos da New England Journal of Medicine

Eficácia da vacina BNT162b2 contra Omicron em crianças de 5 a 11 anos de idade
SHX Tan e outros
DOI: 10.1056/NEJMoa2203209 | 20 de julho de 2022

Eficácia de Anticorpos e Drogas Antivirais contra Omicron BA.2.12.1, BA.4 e BA.5 Subvariantes
E. Takashita e outros
DOI: 10.1056/NEJMc2207519 | 20 de julho de 2022

Proteção associada à infecção anterior por SARS-CoV-2 na Nicarágua
HE Maier e outros
DOI: 10.1056/NEJMc2203985 | 20 de julho de 2022

Comunicação de Estatísticas sobre os Efeitos das Mudanças Climáticas na Saúde
E. Peters e RN Salas
N Engl J Med 2022;387:193-196 | Publicado on-line em 16 de julho de 2022

Reautorização da taxa de usuário de dispositivo médico — de volta ao básico ou olhando para o futuro?
VK Rathi, JS Ross, RF Redberg e SS Dhruva
N Engl J Med 2022;387:196-199 | Publicado on-line em 8 de junho de 2022

Aprovação acelerada — Levando a sério as preocupações do FDA
Sachs RE, Donohue JM, Dusetzina SB N Engl J Med 2022;387:199-201 | Publicado on-line em 6 de julho de 2022

O luto em uma pandemia
K. Meltzer
N Engl J Med 2022;387:201-203 | Publicado on-line em 16 de julho de 2022

Tirzepatide uma vez por semana para o tratamento da obesidade
AM Jastreboff e outros
N Engl J Med 2022;387:205-216 | Publicado on-line em 4 de junho de 2022

Pembrolizumabe mais quimioterapia em câncer de mama triplo negativo avançado
J. Cortes e outros
N Engl J Med 2022; 387: 217-226

Eficácia da vacina BNT162b2 contra Omicron em crianças de 5 a 11 anos de idade
CJ Cohen-Stavi e outros
N Engl J Med 2022;387:227-236 | Publicado on-line em 29 de junho de 2022

Ensaio de Fase 1–2 da Terapia Gênica AAVS3 em Pacientes com Hemofilia B
P. Chowdary e outros
N Engl J Med 2022; 387: 237-247

Monoterapia com Aflibercept ou Bevacizumab Primeiro para Edema Macular Diabético
CD Jhaveri e outros DOI: 10.1056/NEJMoa2204225 | 14 de julho de 2022

Obesidade na Gravidez
AA Creanga, PM Catalano e BT Bateman
N Engl J Med 2022; 387: 248-259

Abscesso Retrofaríngeo
D. Giordano e C. Pernice
N Engl J Med 2022; 387: 260

Hemicoréia Hiperglicêmica Não Cetótica
J. Collado-Saenz e R. Baeza-Trinity
N Engl J Med 2022;387:e5 | Publicado on-line em 16 de julho de 2022

Caso 22-2022: Mulher de 34 anos com lesões pulmonares cavitárias
D. Restrepo, A. Haramati, S.M. McCluskey, and J.A. Branda
N Engl J Med 2022; 387: 261-269

Mudança de maré oferece nova esperança para a obesidade
CJ Rosen e JR Ingelfinger
N Engl J Med 2022;387:271-273 | Publicado on-line em 4 de junho de 2022

Pembrolizumabe no tratamento do câncer de mama
X. Pivô
N Engl J Med 2022; 387: 273-274

Entrevista em áudio: um olhar sobre a estratégia Covid-19 do governo dos EUA
EJ Rubin, LR Baden, AK Jha e S Morrissey
N Engl J Med 2022; 387: e11

Evidências para Terapia de Degrau no Edema Macular Diabético
DC Musch e EY Chew DOI: 10.1056/NEJMe2208454 | 14 de julho de 2022

Duração da disseminação do vírus cultivável na infecção por SARS-CoV-2 Omicron (BA.1)
Publicado on-line em 29 de junho de 2022

Neutralização Omicron SARS-CoV-2 de vacinas inativadas e ZF2001
Publicado on-line em 6 de julho de 2022

Restrição de calorias com ou sem alimentação com restrição de tempo na perda de peso

Dose mais alta de primaquina para prevenir a recaída da malária por Plasmodium vivax

Mutações GNAS Associadas à Obesidade e Via da Melanocortina

Pré-eclâmpsia

Nirmatrelvir para adultos não hospitalizados com Covid-19
DOI: 10.1056/NEJMc2206277 | 20 de julho de 2022

Fonte: NEJM

Pandemia dá sinais de recuo em São Paulo

Veja a edição completa do boletim desta semana clicando aqui

Os dados da semana epidemiológica mais recente (10 a 16 de julho) mostram todos os indicadores da pandemia em queda no Estado de São Paulo, incluindo média diária de novos casos, novas internações e óbitos. “Os números indicam redução na velocidade de transmissão do vírus. Provavelmente atingimos o patamar de mais uma onda e já estamos em mais uma descida na transmissão e consequentes casos, internações e óbitos”, diz o professor Paulo Menezes, da Faculdade de Medicina da USP. 

Na comunidade uspiana, a tendência também é de queda: o número de notificações de covid-19 ou síndrome gripal registrado em todos os campi da USP nos primeiros 15 dias de julho foi 199, comparado a 368 na primeira metade de junho (que acabou sendo o mês com maior número de notificações desde o início deste ano), segundo dados da Superintendência de Saúde da universidade. Os números estão detalhados no Boletim Epidemiológico USP-Covid desta semana.

Praticamente 100% dos alunos, docentes e funcionários da USP estão com esquema vacinal completo — obrigatório para frequentar a universidade. A terceira dose passa a ser obrigatória, também, para frequência no segundo semestre.

A Comissão Assessora de Saúde da USP monitora continuamente a pandemia e ressalta que o uso de máscaras permanece obrigatório em ambientes fechados da universidade, assim como no transporte público e nos serviços de saúde. Em ambientes abertos o uso não é obrigatório, mas também recomendado, sempre que houver aglomeração. Mais informações no site USP Retorno Seguro: https://retornoseguro.usp.br.

Fonte: Jornal da USP

Ciência e inovação podem mudar rumos do país, mas precisam parar de regredir

A pandemia acentuou tendências latentes em nosso cotidiano, alavancadas pela inflação, a guerra, o desemprego e a retração da economia. Mas não há como camuflar a responsabilidade do governo federal pelas agruras da sociedade e a agressão à educação e à ciência brasilciência brasileira

eiras.

Sua atuação errática acuou cientistas, esvaziou agências de fomento, minou universidades, cortou verbas. Na contracorrente do mundo, além de retardar o trânsito para uma sociedade sustentável, o Brasil ficou cada vez mais distante dos países tecnologicamente mais avançados. Ou nos esforçamos para entrar em sintonia com as novas tecnologias ou ficaremos marcados pela irrelevância.

A dinâmica atual das novas tecnologias digitais, com destaque para a inteligência artificial, é tão poderosa que modifica o metabolismo da indústria de transformação, dos serviços, da agricultura e do comércio. Mas sua difusão é absorvida de modo desigual, seja pelos países, seja pelas pessoas.

A procura pelos mais qualificados no mercado de trabalho aumenta as desigualdades; as empresas e a pesquisa científica perdem dinamismo e a infraestrutura e a economia envelhecem rápido. A baixa qualidade do sistema educacional é ainda mais exacerbada diante do número cada vez maior de pessoas deixadas para trás.

Os ciclos tecnológicos disruptivos marcam os países em desenvolvimento com atrasos assimétricos. Promovem mudanças na infraestrutura e nos padrões de consumo, mas não conseguem impulsionar mudanças nas estruturas da economia, que exigiriam um esforço articulado entre o setor público e privado, as empresas, as universidades e o governo. O mundo mudou e a interdependência é a regra.

A ciência, sabemos, não respeita fronteiras. Por onde avançar?

Antes de mais nada, é preciso interromper a regressão atual do sistema de CT&I. Segundo, é importante reconhecer que as novas tecnologias se baseiam na valorização do capital humano: não há como absorver, adaptar e desenvolver tecnologias sem pessoas qualificadas.

Terceiro, as tecnologias inovadoras abrem possibilidades imensas, mas pedem ambientes propícios a sua absorção e desenvolvimento, o oposto do ambiente tóxico atual. Quarto, é fundamental defender nossas florestas e toda a população e etnias que vivem delas e ajudam a mantê-las. O respeito ao meio ambiente deve ser parte integrante do esforço pelo desenvolvimento.

Não há mágica, claro. Mas o nível alcançado pela CT&I permite que o Brasil contribua mais ainda para elevar a expectativa de vida das pessoas e recuperar sua posição de vanguarda na luta contra os efeitos das mudanças climáticas, pela biodiversidade e por fontes limpas de energia, pela produção de alimentos e o uso da terra, fundamentais para diminuir a pobreza, as desigualdades e a geração de empregos.

Se é verdade que o Brasil não está fadado ao fracasso, é mais do que certo que é preciso mudar de rumo. A ciência brasileira já mostrou ter condições de renovar seu compromisso com a sociedade e disposição para se articular com todos os que buscam um lugar de relevo para o país.

Esse artigo foi publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo, em 10/07/2022.

Fonte: Jornal da USP

UFU avalia reflexos da pandemia no meio ambiente

A CAPES concederá quatro bolsas de mestrado, três de doutorado e três de pós-doutorado, além de R$100 mil para custeio do projeto.

Monitorar a contaminação ambiental como o aumento do volume de resíduos residenciais e hospitalares gerados pela COVID-19 e traçar estratégias para minimizar o problema no cenário pós – pandêmico:  esse é o tema do projeto da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) selecionado  no Programa de Desenvolvimento da Pós-Graduação (PDPG) – Impactos da Pandemia.

Carlos Henrique de Carvalho, pró-reitor da Pós-Graduação e Pesquisa da UFU, explica que o principal objetivo é viabilizar a sustentabilidade ambiental em momentos de crise. “Diante de situações como esta, de uma pandemia, precisamos pensar em estratégias sobre como manter o atendimento em hospitais e no setor público sem que o meio ambiente seja impactado”, conta.

O projeto traz uma temática de interesse mundial, relevância social e alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. “Quem tem condições de desenvolver estudos para que isso seja operacionalizado da melhor maneira possível ou seja, fazer com que o desenvolvimento econômico atenda de maneira mais ampla a sociedade, mas que o meio ambiente seja preservado contribui para o desenvolvimento mundial sustentável “, esclarece Carlos Carvalho.

A CAPES concederá quatro bolsas de mestrado, três de doutorado e outras três de pós-doutorado à UFU, além de R$100 mil para custeio do projeto denominado Monitoramento da contaminação ambiental pós-pandemia e estratégias de mitigação. O pró-reitor finaliza destacando o protagonismo da Fundação e a sua importância como principal agência de fomento à pesquisa do Brasil: “A CAPES é um patrimônio da sociedade brasileira, um patrimônio da ciência, da pós-graduação do País”.

Sobre o programa
PDPG – Impactos da Pandemia é o quarto edital do Programa Estratégico Emergencial de Prevenção Combate a Surtos, Endemias, Epidemias e Pandemias, que tem a finalidade de incentivar estudos sobre a prevenção e o enfrentamento à COVID-19 e outras doenças. Estão previstos investimentos de até R$25,1 milhões.

Fonte: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) CCS/CAPES