Estudo identifica novo mecanismo de regulação da inflamação sistêmica

Agência FAPESP * – Cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) descobriram que macrófagos do baço e do fígado se comunicam e atuam na regulação da inflamação sistêmica, resposta natural do sistema imune a infecções mais graves.

A descoberta abre novas perspectivas para entender melhor a importância da comunicação entre órgãos em infecções graves ou generalizadas, o que pode servir como base para estudar novos tratamentos.

A pesquisa foi publicada em artigo na revista Science Signaling e teve apoio da FAPESP pelo Projeto Temático “Hipotermia na sepse: causas e consequências”.

Macrófagos são células do sistema imune responsáveis por fiscalizar alterações nos tecidos, induzindo a produção de proteínas, chamadas de citocinas, que “avisam” o organismo de que há um agente infeccioso que precisa ser eliminado. Até então, acreditava-se que os macrófagos do baço eram os maiores produtores de TNF, a primeira citocina pró-inflamatória liberada durante uma infecção.

No entanto, segundo o pesquisador Alexandre Steiner, coordenador do estudo, em entrevista para a Acadêmica Agência de Comunicação, esse papel parece ser dos macrófagos do fígado, que por sua vez recebem um estímulo do baço.

“Em modelos animais de inflamação sistêmica, nós verificamos que a produção de TNF no fígado foi aumentada pelo leucotrieno B4 (LTB4) liberado pelo baço. O LTB4 é um mediador derivado do metabolismo de lipídios que participa da regulação da inflamação”, explica Steiner. Segundo ele, muitos estudos mostravam que, quando o baço é retirado, os níveis de TNF ficam reduzidos. “Isso nos surpreendeu, pois agora acreditamos que o TNF diminui devido à falta de estímulo do baço no fígado, e não porque o baço é o principal produtor. O baço deixa de ser visto de forma isolada”, completa.

A regulação da inflamação sistêmica, feita pela comunicação entre baço e fígado, é importante para que haja um equilíbrio na resposta imune. Indivíduos que produzem pouco TNF são imunossuprimidos, ou seja, apresentam uma resposta imune menos eficaz, enquanto o excesso de TNF pode resultar em uma inflamação sistêmica exacerbada, causando danos ao organismo.

“Falhas nesse mecanismo de regulação podem ajudar a explicar a sepse, infecção generalizada que é a principal causa de morte nas UTIs, chegando a 65% no Brasil”, comenta o pesquisador.

Steiner acredita que, por meio de um maior entendimento das interações entre órgãos, futuramente será possível desenvolver estratégias para uma medicina personalizada, com formas de ativar mais o sistema imune ou reduzir a sua atividade, dependendo da necessidade de cada paciente. “A ativação do sistema imune poderia ser feita por meio da administração de leucotrieno B4 ou de outro composto similar, por exemplo. Ao mesmo tempo, para diminuir essa atividade, podemos aplicar um antagonista de leucotrieno B4 – que não impede a produção de TNF e o combate à infecção, apenas reduz.”

O estudo foi feito em modelos de inflamação sistêmica induzida por lipopolissacarídeos (LPS), que são fragmentos de bactérias. Agora o grupo pretende analisar esse mecanismo nas próprias doenças infecciosas e entender em quais circunstâncias há uma maior ou menor ativação do eixo baço-fígado. “Além disso, buscamos compreender qual é a influência da obesidade, do envelhecimento e de outras condições nesse contexto”, conclui o pesquisador.

*Com informações da Assessoria de Comunicação do ICB-USP .
 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND.

Estudo apresenta novo alvo terapêutico para tratamento da sepse

Karina Toledo | Agência FAPESP – Uma nova estratégia para prevenir complicações associadas à sepse foi apresentada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e colaboradores em artigo publicado na revista Blood.

A proposta é inibir a ação de uma proteína chamada gasdermina D, o que os autores mostraram ser possível com um medicamento já aprovado para uso humano e originalmente indicado para combater a dependência de álcool: o dissulfiram.

O trabalho foi conduzido no Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP).

“Já sabemos que a droga é segura, pois está em uso desde os anos 1950, e estamos propondo seu reposionamento para o tratamento da sepse. Vimos que funciona nos testes in vitro e em animais. Agora é necessário um ensaio clínico para avaliar sua eficácia em pacientes sépticos”, diz à Agência FAPESP Camila Meirelles Silva, pós-doutoranda no CRID e primeira autora do artigo.

Popularmente conhecida como “infecção generalizada”, a sepse é, na verdade, uma inflamação sistêmica comumente desencadeada por uma infecção bacteriana que saiu de controle. Na tentativa de combater os patógenos, o sistema imune acaba prejudicando o próprio organismo. Nas formas mais graves, os pacientes desenvolvem lesões que comprometem o funcionamento de órgãos vitais, principalmente o pulmão.

Em trabalhos anteriores, a equipe do CRID já havia revelado que um mecanismo imune conhecido como “rede extracelular liberada por neutrófilos” (NET, na sigla em inglês) está diretamente envolvido nas lesões teciduais em pacientes com sepse. Como o próprio nome sugere, a NET é uma estratégia de defesa usada principalmente pelo neutrófilo, um tipo de leucócito capaz de fagocitar bactérias, fungos e vírus. Em algumas situações extremas, essa célula imune morre e o material existente em seu núcleo é lançado para o meio externo na forma de redes, que são tóxicas tanto para os patógenos quanto para as células do organismo.

“Neste novo trabalho, nós desvendamos o mecanismo que possibilita a liberação das NETs, no qual a gasdermina D está diretamente envolvida. Além disso, mostramos que, ao impedir os neutrófilos de liberar essas redes pela inibição da gasdermina D, conseguimos reduzir o nível de lesão tecidual e melhorar o prognóstico”, conta Silva.

Metodologia

Parte dos experimentos foi feita com leucócitos isolados de pacientes com sepse internados há 24 horas – sendo 12 homens e 12 mulheres. As análises feitas em microscópio confocal mostraram as NETs sendo liberadas in vitro por grande parte dessas células. Os testes também indicaram que nos neutrófilos dos pacientes havia uma grande quantidade de gasdermina D na forma ativa – assim como foi observado nos neutrófilos isolados de camundongos sépticos.

“A gasdermina D é uma proteína formadora de poros. Trabalhos anteriores mostraram que, quando essa molécula é ativada na célula, ela forma poros [buracos] na membrana nuclear que permitem a saída do material genético para o citosol. Em seguida, outros poros são abertos pela gasdermina D na membrana plasmática, possibilitando a liberação de todo esse conteúdo para o meio extracelular. Nós comprovamos que na sepse a proteína também atua dessa forma”, relata Silva.

Os experimentos in vivo foram feitos com camundongos submetidos a um procedimento para induzir um quadro de sepse. Parte dos animais expressava normalmente a gasdermina D. Outro grupo era composto de roedores geneticamente modificados para não produzir essa proteína em nenhuma célula do corpo (camundongos nocaute para gasdermina D).

“Quando induzimos a sepse, observamos que os animais nocaute produziam menor quantidade de NET, desenvolviam menos lesão de órgãos [não apresentaram edema pulmonar, ao contrários dos demais] e sobreviviam mais”, conta a pesquisadora.

Testes in vitro com as células dos camundongos nocaute confirmaram que, mesmo na presença de LPS – molécula presente na membrana de bactérias patogênicas que o sistema imune costuma interpretar como um sinal de perigo –, os neutrófilos não se rompem e não liberam suas armadilhas.

Testes de inibição

Dados da literatura científica já indicavam que o dissulfiram tem a capacidade de se ligar à gasdermina D e impedir que a proteína forme poros nas membranas das células. Com base nessas evidências, os cientistas do CRID decidiram testar o efeito da droga no contexto da sepse – doença para a qual ainda não existe um medicamento específico.

Nos testes in vitro, os pesquisadores observaram que, após o tratamento com o fármaco, tanto os neutrófilos humanos quanto os de camundongo paravam de liberar as NETs quando estimulados com LPS.

Em outro experimento, os neutrófilos isolados de pacientes sépticos foram incubados com o medicamento e foi possível observar que o tratamento inibiu o processo de liberação das redes neutrofílicas.

Por último, camundongos com sepse foram tratados com dissulfiram e sua evolução foi comparada com a de roedores não tratados. Nos animais que receberam a droga, observou-se menos lesão tecidual (incluindo menos edema pulmonar), menor quantidade de NET no sangue e melhora no prognóstico (60% sobreviveram, contra 20% no grupo não tratado).

Os resultados despertaram interesse na comunidade científica e motivaram um comentário também publicado na Blood pelos pesquisadores da Alemanha Maksim Klimiankou (University Hospital Tuebingen) e Julia Skokowa (University Hospital Tuebingen).

“Os neutrófilos exercem múltiplas defesas contra patógenos, incluindo fagocitose, produção de espécies reativas de oxigênio, secreção de enzimas bactericidas e formação de NETs. E os neutrófilos pagam um alto preço por todas essas ações defensivas – morrendo durante o processo de digerir, neutralizar e matar invasores. No entanto, nem tudo é perfeito nessa linha de defesa – é quase impossível regular o grau de ativação dos neutrófilos. Uma vez ativados, eles frequentemente exibem fenótipos hipersensíveis, causando efeitos deletérios tanto no local da inflamação quanto sistemicamente, desempenhando um papel essencial no início do processo de disfunção de múltiplos órgãos e na letalidade da sepse. Atacar os mecanismos responsáveis pelos efeitos deletérios dos neutrófilos durante a sepse, preservando outras funções dessas células, pode representar uma terapia valiosa”, afirmam os alemães na revista.

Os resultados da pesquisa foram tema de um podcast produzido pela equipe da Blood.

“Era um medicamento tão barato que a empresa resolveu tirar do mercado e hoje os psiquiatras que tratam dependentes de álcool precisam importar. Como alternativa, estamos negociando com uma farmacêutica nacional o desenvolvimento de uma molécula levemente modificada, que poderia ser patenteada e disponibilizada no mercado nacional”, conta.

Cunha revela ainda que o time do CRID pretende testar se o dissulfiram pode ser usado para prevenir lesões em órgãos de pacientes com COVID-19. Estudo anterior do grupo mostrou que as NETs participam do quadro de inflamação descontrolada desencadeado pelo SARS-CoV-2 (leia mais em: agencia.fapesp.br/33435/).

O artigo Gasdermin D inhibition prevents multiple organ dysfunction during sepsis by blocking NET formation pode ser lido em: https://ashpublications.org/blood/article-abstract/138/25/2702/476604/Gasdermin-D-inhibition-prevents-multiple-organ?redirectedFrom=fulltext.
 Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Relatório Clarivate Analytics destacou produção de 1% mais influentes por área, desde 2010; artigo de maior sucesso da USP foi publicado em revista de acesso aberto

Influencers: o que significa estar entre os cientistas mais citados do mundo?

Indicadores de desempenho acadêmico não são uma novidade para as universidades e institutos de pesquisa. Reputação, visibilidade, relevância e número de artigos publicados são alguns dos parâmetros dos rankings internacionais para avaliar instituições de ensino superior. Alguns rankings utilizam medidas comparativas mais abstratas, como “excelência” ou “qualidade” da performance das instituições. Outros podem medir aspectos específicos da influência universitária, como sua contribuição para o alcance das Metas do Desenvolvimento Sustentável, por exemplo. No geral, os rankings são vistos como importantes termômetros da qualidade do ensino superior de um país. Na era da prestação de contas e da contagem de views, o desafio está em ter pesquisadores reconhecidos e citados, representando a elite da produção científica mundial.   

Recentemente, um relatório intitulado Highly Cited Researchers 2021, lançado pelo Institute for Scientific Information (ISI), divulgou uma lista dos pesquisadores mais altamente citados no mundo. Os superlativos não se esgotam aí: para identificar estes cientistas de desempenho extraordinário, o relatório usou como base de dados os artigos publicados e indexados no Web of Science, um dos maiores e mais respeitados bancos multidisciplinares de publicações científicas.

Como todo ranqueamento, a lista da Clarivate estabeleceu uma metodologia e uma ferramenta de análise próprias, classificando as informações em 21 áreas do conhecimento e examinando artigos publicados e citados entre os anos de 2010 e 2020. O trabalho resultou em uma lista com 6.602 pesquisadores considerados altamente citados, tendo como critério o maior número de artigos mencionados por pares. O recorte, porém, corresponde ao top 1% mais citados no final do ano de 2020.

“Por definição, a lista ignora 99% de todos os artigos publicados”, aponta Jacques Marcovitch, Professor Emérito da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e ex-reitor da USP. Ele lidera um projeto de métricas para o aprimoramento da gestão de indicadores acadêmicos, unindo as três universidades públicas paulistas: USP, Unesp e Unicamp. Marcovitch observa que a lista dos cientistas mais citados do mundo é composta do número de artigos individuais que acumularam um alto número de citações, e não do número médio de citações atribuídas a pesquisadores individuais. Para ele, “a principal motivação para esse ranking é a possibilidade da Clarivate divulgar o uso de seus serviços para pesquisadores”. A empresa comprou o subsidiário de propriedade intelectual da Thomson Reuters (incluindo Web of Science e Essential Science Indicators) em 2017. 

Apesar disso, o professor reconhece o sistema de classificação da Clarivate como um dos mais confiáveis, entre os atuais. A empresa utilizou o ResearcherID para classificação, que agrega informações explicitamente autodeclaradas e publicações em periódicos revisados por pares. Mas pondera: “Se de um lado o uso do ResearcherID eleva a confiabilidade, de outro a variação intradisciplinar limita o uso das citações como medida de classificação de pesquisadores”.

Embora os indicadores de desempenho busquem métodos que sejam capazes de equalizar a análise e assim chegar a uma seleção justa, cada área de pesquisa se comporta de maneira diferente. Marcovitch exemplifica: “Em física de altas energias é normal publicar dezenas de artigos em um ano, com centenas ou mais coautores. Já a física teórica tende a gerar poucos artigos, com menos coautores. Isso não significa que a física experimental é ‘melhor’, porque é mais citada, do que a física teórica”. Segundo ele, padrões distintos limitam a comparação entre diferentes áreas de conhecimento.

Outro exemplo está representado no grupo de brasileiros selecionados pelo relatório da Clarivate. No total, o Brasil teve 21 pesquisadores escolhidos na lista dos mais influentes, além de outros dois pesquisadores dos EUA e Canadá que têm afiliação secundária com a Fundação Oswaldo Cruz e com a USP, respectivamente. Destes, sete são da USP; cinco deles atuam no mesmo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da Faculdade de Saúde Pública (FSP). A área, da categoria das ciências sociais, é considerada de cruzamento, com artigos potencialmente citados em mais campos de conhecimento.

Fonte: Jornal da USP

Simpósio CoronaVac

Cetics

O Instituto Butantan, em parceria com a Sinovac Biotech, promove, de 07 a 09 de dezembro, o Simpósio CoronaVac, evento online internacional que visa divulgar e discutir os últimos resultados da eficácia e segurança do CoronaVac e os fundamentos científicos do estudo de eficácia Projeto S, realizado no município de Serrana.

O encontro científico reunirá especialistas brasileiros dos Estados Unidos, Turquia, Chile, China e Espanha que promoverão diálogos profundos e qualificados. Entre os temas discutidos estão: a história da vacina que, até o momento, é a mais aplicada no mundo protegendo pessoas de Covid-19, CoronaVac, e sua imunogenicidade entre a população idosa e pediátrica; respostas positivas à terceira dose ou dose de reforço e às questões sobre o tempo de imunização em diferentes países.

Este é um evento online gratuito, aberto ao público em geral.

Mais informações aqui!

Contato: coronavacsymposium@butantan.gov.br

Fonte: Instituto Butantan

Em testes com animais, corticoide foi eficaz para tratar picadas de escorpião e evitar risco de morte

Os experimentos mostraram que o medicamento bloqueia a inflamação causada pelo veneno que provoca falência do coração e edema pulmonar. Pesquisa recebeu o Prêmio Capes de Teses 2021

Pesquisa realizada com animais mostrou que o uso de corticoide pode bloquear a inflamação causada pela picada do escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), minimizando, assim, o risco de morte. O veneno causa reações sistêmicas no organismo que culminam em edema pulmonar (acúmulo de líquido no pulmão) e choque cardiogênico (falência do coração). A espécie é típica das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil e é a que mais causa acidentes graves no País, com registros de óbitos principalmente em idosos e crianças.

A tese Investigação sobre alterações cardíaca que ocorrem no envenenamento pela peçonha do escorpião Tityus serrulatus contou com orientação da professora Lúcia Helena Faccioli, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, e recebeu o Prêmio Capes de Teses 2021. A pesquisa rendeu artigo na revista Nature Communications.

O autor do trabalho, Mouzarllem Barros dos Reis, mestre e doutor em imunologia básica e aplicada,  ressalta ao Jornal da USP que os testes foram feitos em laboratório com camundongos inoculados com as toxinas do animal e, embora as reações sejam semelhantes em  humanos, o pesquisador reforça a necessidade da realização de pesquisas clínicas randomizadas para confirmar os resultados.

Ele explica que o objetivo do trabalho foi estudar como o veneno do escorpião induz o choque cardiogênico, que faz o coração não bombear o sangue de maneira adequada no corpo, o que irá ter repercussões clínicas graves, podendo evoluir para a morte.

Segundo o pesquisador, o estudo é altamente relevante porque têm aumentado muito os casos de envenenamento por escorpião. O número de pessoas picadas pelo Tityus serrulatus é maior que a quantidade de todos os acidentes por animais peçonhentos juntos, relata o trabalho.

Testes em animais

Após a inoculação do veneno, os animais receberam doses de corticóide (dexametasona) – medicamento supressor da resposta imune, que foi capaz de reverter o quadro de morte e o problema cardiogênico, além dos outros sintomas associados ao escorpianismo (dor forte no local, sudorese, agitação, febre e taquicardia e óbito). “Embora os resultados tenham sido obtidos em laboratório e em situação controlada, propomos o uso da dexametasona logo após o envenenamento para inibir a produção de mediadores inflamatórios e a liberação de acetilcolina (neurotransmissor), reduzindo as manifestações graves e morte no envenenamento”, diz o pesquisador.

O pesquisador ressalta que o protocolo proposto no artigo foi aplicado somente em animais. Por isso, é preciso realizar estudos clínicos para o uso em humanos. “Por hora, o soro antiescorpiônico continua sendo a principal arma para tratar o envenenamento”, diz.

Como agem as toxinas do escorpião no organismo?

Mouzarllem explica que, após a picada pelo escorpião, as toxinas (TsV) do animal se espalham rapidamente até atingir a circulação sanguínea, induzindo, a partir daí, um complexo processo inflamatório no organismo, no qual as células do sistema imune iniciam uma reação de defesa induzida pelo veneno.

Nessa interação, entram em ação receptores celulares do sistema imune chamados TLR2 e TLR4 que reconhecem o veneno e começam a produzir mediadores inflamatórios, as interleucinas (células brancas) que, por sua vez, elevam a produção de prostaglandinas (PGE2) e induzem a liberação de um neurotransmissor chamado acetilcolina. Toda essa reação sistêmica no organismo (inflamação) provoca a disfunção cardíaca, fazendo com que o coração deixe de bombear adequadamente o sangue, o que pode culminar no edema agudo do pulmão e no choque cardiogênico e levar à morte.

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Fonte: Jornal da USP

Versão atualizada do Observatório da Produção Intelectual do Sistema FMUSP-HC

A Biblioteca da FMUSP lança versão atualizada do OPI.

O Observatório da Produção Intelectual do Sistema FMUSP-HC é um repositório institucional e um observatório das métricas desta produção. Tem como objetivos reunir, coletar, organizar, analisar, preservar e disponibilizar a produção científica oriunda da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), do Hospital das Clínicas e demais instituições associadas, de modo a contribuir com a gestão do conhecimento relacionado à pesquisa científica na área das Ciências da Vida e da Saúde.

Acesse: http://www.observatorio.fm.usp.br

Fonte: Biblioteca FMUSP

Docentes da FMUSP estão entre os mais influentes do mundo

Arte sobre site Clarivate Analytics

Sete docentes da USP estão entre os pesquisadores mais influentes do mundo, de acordo com a avaliação da consultoria britânica Clarivate Analytics, divulgada no dia 16 de novembro. Figuram na classificação os professores Andre Russowsky Brunoni, Renata Bertazzi Levy e Raul Dias dos Santos Filho, da Faculdade de Medicina (FM); e Geoffrey Cannon, Maria Laura da Costa Louzada, Carlos Augusto Monteiro e Eurídice Martínez Steele, da Faculdade de Saúde Pública (FSP).

Divulgada anualmente desde 2014, a lista Highly Cited Researchers é elaborada a partir de uma análise da quantidade de citações de artigos publicados por um pesquisador ao longo de uma década, utilizando a plataforma Web of Science. Os selecionados para a lista pertencem ao grupo dos 1% de pesquisadores que mantiveram as mais altas médias de citações durante o período.

Neste ano, ao todo, foram selecionados 6.600 pesquisadores em 22 áreas do conhecimento. Os Estados Unidos são o país com maior número de pesquisadores mencionados, 2.622 ao todo; em seguida, aparece a China, com 934; e, em terceiro lugar, o Reino Unido, com 492. A Universidade de Harvard (EUA) é a instituição de pesquisa com maior número de pesquisadores citados, 214.

O Brasil teve 21 pesquisadores na lista dos mais influentes. A USP é a instituição brasileira com mais docentes selecionados, sete ao todo; a Universidade Estadual de Campinas, a Universidade Federal de Viçosa e o Instituto Federal do Rio de Janeiro tiveram dois pesquisadores cada; a Universidade Federal do Piauí, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Santa Maria, a Universidade Federal de Pelotas, a Universidade Federal São Carlos, a Universidade Federal Fluminense, o Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária tiveram um pesquisador citado.

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Fonte: Jornal da USP

Infecção por chikungunya induz imunidade parcial contra o vírus mayaro

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Estudo conduzido na Universidade de São Paulo (USP) sugere que indivíduos infectados pelo vírus chikungunya podem desenvolver imunidade parcial ao vírus mayaro. A conclusão, apresentada no Journal of Virology, se baseia em experimentos feitos com camundongos e com o soro sanguíneo de pacientes. Segundo os autores, esse tipo de proteção cruzada pode ser um dos motivos para ainda não ter ocorrido uma grande epidemia de febre do mayaro no Brasil.

No trabalho, apoiado pela FAPESP, os camundongos foram infectados primeiro por chikungunya e um mês depois pelo mayaro – e, em outro grupo de animais, foi feito o procedimento inverso. Nos dois casos, as análises mostraram que a resposta inflamatória à segunda infecção foi mais branda.

“Observamos uma redução significativa da doença secundária. As análises mostraram que a proteção cruzada ameniza o quadro da doença de forma parcial em vários aspectos: reduz a carga viral, o dano tecidual e também os mediadores inflamatórios que causam o dano celular”, conta Marcílio Fumagalli, bolsista de doutorado da FAPESP no Centro de Pesquisa em Virologia da USP, em Ribeirão Preto. “Ao testarmos os anticorpos neutralizantes de um vírus contra o outro, observamos uma resposta protetora baixa contra ambos”, acrescenta.

Apesar de os animais infectados inicialmente por chikungunya apresentarem uma quantidade pequena de anticorpos neutralizantes circulando no sangue, esses níveis sobem rapidamente após a infecção secundária por mayaro, o que induz uma proteção cruzada contra a doença.

O grupo analisou a neutralização por anticorpos, mas também identificou nos roedores outros fatores do sistema imune que podem influenciar essa resposta cruzada. “O indivíduo infectado é sensibilizado, passando a produzir anticorpos e outros mecanismos de defesa. O organismo então desenvolve uma ‘memória imunológica’, o que permite responder mais rapidamente durante a reinfecção”, afirma.

O trabalho quantificou níveis de anticorpos protetores produzidos após cada infecção. “A produção das células de memória [linfócitos B ou T] requer um tempo, mas como o animal já havia sido infectado previamente por chikungunya, ele já as tinha. Isso fez com que, durante a infecção secundária por mayaro, a resposta imunológica, incluindo o aumento nos níveis de anticorpos neutralizantes, ocorresse rapidamente”, explica Fumagalli.

Como ressalta o pesquisador, sabe-se que a resposta imune contra patógenos envolve diferentes frentes de atuação, entre eles mecanismos da imunidade inata [macrófagos, neutrófilos, células NK ou natural killers], imunidade adaptativa [linfócitos B e T] e também mediadores solúveis – como os anticorpos e as citocinas.

“No estudo, observamos o importante papel dos anticorpos, que é um dos fatores que medeiam a proteção cruzada. Mas, além disso, também observamos que outros elementos devem estar envolvidos”, diz Luiz Tadeu Figueiredo, coordenador do Centro de Pesquisa em Virologia e líder do estudo.

Na análise, o grupo conseguiu remover as células B (produtoras de anticorpos) dos camundongos infectados e observar os níveis de proteção cruzada. “Essas análises indicaram que outros fatores da resposta imune também estão envolvidos na proteção cruzada, tais como outras subpopulações de linfócitos ou mecanismos da resposta imune inata. O anticorpo é importante, mas não é o único a atuar na proteção cruzada. Tem algo a mais que ainda não conseguimos identificar”, afirma Figueiredo.

Os pesquisadores também analisaram o soro sanguíneo de pacientes infectados pelo chikungunya. Esse experimento serviu para demonstrar que os anticorpos produzidos após uma infecção por chikungunya também reagem de maneira cruzada, combatendo a ação do vírus mayaro.

Dois vírus, anticorpos diferentes

Mayaro e chikungunya são vírus “aparentados”, pois pertencem à mesma família dos Togavirus. No entanto, embora desencadeiem sintomas parecidos ao infectar humanos, eles apresentam estruturas ligeiramente diferentes. “Cada doença exige a produção de diferentes tipos de anticorpos, sendo que alguns reconhecem as mesmas proteínas. Ou seja, mayaro e chikungunya geram anticorpos diferentes, mas o fato é que alguns deles funcionam para as duas doenças”, explica Fumagalli.

O chikungunya é transmitido por meio da picada de fêmeas dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. A maioria dos casos da doença é caracterizada pela forma aguda da infecção, com febre alta, dores de cabeça, nas articulações e nos músculos, além de náusea, fadiga e erupções na pele, podendo atingir o estado crônico caracterizado por fortes dores nas articulações durante anos.

Já a febre do mayaro é transmitida por mosquitos silvestres do gênero Haemagogus. Os sintomas são bem parecidos com os da fase aguda do chikungunya, incluindo febre, manchas avermelhadas na pele, dor de cabeça e muscular. Os casos mais severos também apresentam dor nas articulações, que pode ou não ser acompanhada de edema. Ainda não foram desenvolvidas vacinas para nenhuma das duas doenças.

A proteção cruzada não é algo inédito na imunologia, mas não costuma ser a regra. O caso do vírus da dengue, por exemplo, que é da família dos Flavivirus, é ainda mais complexo. “Primeiro, que a mesma espécie tem quatro sorotipos diferentes: dengue 1, 2, 3 e 4. Eles apresentam certas diferenças durante a ativação da resposta imune, induzindo anticorpos capazes de gerar a proteção cruzada para um outro sorotipo, entretanto, alguns anticorpos são capazes de agravar a doença”, conta Figueiredo.

Adaptação urbana

A descoberta da proteção cruzada também ajuda a entender por que não ocorre uma ampla circulação do mayaro nas cidades brasileiras, a despeito dos surtos que têm ocorrido nos últimos anos e dos alertas de risco.

“Com o achado, levantamos a hipótese de que essa imunidade cruzada pode ser mais uma barreira evolutiva que impede a ampla adaptação do vírus mayaro ao ambiente urbano. Os dois patógenos são endêmicos no Brasil, entretanto, apenas o chikungunya é adaptado para circulação em cidades, enquanto o mayaro se mantém melhor em regiões silvestres”, diz Figueiredo.

Fumagalli ressalta que, além da proteção cruzada, outros fatores podem contribuir para o bloqueio da transmissão do mayaro. “Além de conseguir infectar os humanos, o vírus também precisa se adaptar bem para ser transmitido aos mosquitos urbanos, o que não ocorre para o mayaro, que é preferencialmente transmitido entre macacos e outros mosquitos silvestres”, afirma.

Outro ponto importante para a diferença de casos entre as duas doenças é a viremia, ou seja, humanos produzem uma reduzida carga viral durante um curto período de tempo após a infecção por mayaro, o que reduz ainda mais a suscetibilidade dos mosquitos urbanos à infecção.

“Em outros animais, como os macacos, a carga viral é significativamente maior, o que também pode explicar essa barreira evolutiva que impede a chegada de mayaro ao meio urbano. Nosso estudo sugere que essa imunidade prévia pode dificultar ainda mais a circulação do vírus mayaro entre humanos, considerando que infectados por chikungunya estão parcialmente protegidos, o que pode ajudar a controlar novos surtos”, diz Fumagalli.

O artigo Chikungunya virus exposure partially cross-protects against Mayaro virus infection in mice pode ser lido em: https://journals.asm.org/doi/10.1128/JVI.01122-21.
 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND.

USP PROMOVE CURSO DE DIFUSÃO COVID-19: BIOSSEGURANÇA EM ATIVIDADES PRESENCIAIS

A Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo (PRCEU-USP) promove, no próximo dia 17/11 (quarta-feira), o Curso de Difusão “Covid-19: Biossegurança em Atividades Presenciais”. De forma a evitar conflitos com outras atividades e para o melhor aproveitamento, o curso será ministrado na modalidade de ensino a distância (EaD), em uma única turma, das 17h30 às 21h45, com intervalo de 10 minutos.

O evento é destinado a todos os agentes (alunos de graduação e de pós-graduação, servidores, docentes, apoiadores dos municípios e público em geral interessados) que, direta ou indiretamente, estejam atuando com as Unidades Móveis do Programa USP na Comunidade nos municípios de Boraceia, região de Bauru, Piracicaba e Lorena. Importante destacar que se trata de Curso de Difusão da Universidade, aberto ao público geral, além dos atuantes nos projetos acima mencionados, e que contará com a emissão de certificado da Universidade de São Paulo.

Para obtenção do certificado USP é necessário que se faça inscrição e que se assista a aula em sua totalidade, para tanto, deve-se seguir os procedimentos:

1 – Faça sua inscrição em: https://uspdigital.usp.br/apolo/inscricaoPublicaFormTurmaListar?codund=1&codcurceu=10400318&codedicurceu=21002&numseqofeedi=1&oriins=W . 

2 – Assista ao curso a partir das 17h30, de 17/11/2021, pelo link: https://meet.google.com/upj-sgut-iyh .

Fonte: FMUSP

I Simpósio do Programa de Pós-graduação em Fisiologia Humana do ICB-USP

O II Simpósio de Fisiologia Humana ICB-USP, desenvolvido por discentes e docentes do programa de pós-graduação, acontece dias 09 e 10 de dezembro, das 8h às 17h e tem como principal objetivo ampliar a troca de conhecimento e experiências entre pesquisadores de diferentes áreas de atuação em Fisiologia Humana.

O evento será inteiramente on-line e com duração de dois dias. Serão realizadas conferências e apresentação de trabalhos de pós-graduandos, pós doutorandos e estudantes de iniciação científica do departamento e discentes regulares matriculados no PPG Multicentrico em Ciências Fisiológicas.

As inscrições para ouvintes já estão abertas.

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Fonte: ICB/USP