Cientistas da USP são pioneiros na edição do DNA de tumor agressivo de tireoide

Procedimento in vitro foi capaz de diminuir a agressividade das células cancerígenas consideravelmente, sendo cotado pelos cientistas como um possível tratamento neoadjuvante para este e outros tipos de cânceres agressivos.

O câncer de tireoide é um dos tumores mais comuns que afetam a região do pescoço e cabeça. Na maioria dos casos, o tratamento costuma ser simples e ter alta taxa de cura com a radioiodoterapia. No entanto, as variantes agressivas desse câncer são mais difíceis de tratar e nem sempre respondem bem ao tratamento.  Isso ocorre, em parte, porque um microRNA, o miR-17-92, tem sua expressão aumentada não só nesse tipo de carcinoma, como em outros cânceres agressivos, a exemplo do pulmão.

“Essa foi uma descoberta do meu pós-doutorado. Agora, avançamos com o objetivo de inibir a expressão do miR-17-92”, afirma César Seigi Fuziwara, pesquisador do Laboratório de Biologia Molecular da Tiroide do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), coordenado pela professora Edna Kimura. “Conseguimos fazer a edição gênica desse microRNA usando o método CRISPR”, acrescenta. “O método CRISPR usa uma proteína chamada Cas9 para ‘cortar’ o DNA. Quando a célula tenta reparar o pedaço ‘cortado’, ela muda a sequência de nucleotídeos, o que resulta em um gene alterado e, consequentemente, também altera o quadro de leitura”, explica Fuziwara. Os cientistas editaram com sucesso células do carcinoma anaplásico de tireoide, o tipo mais letal de câncer de tireoide, e as analisaram em experimentos in vitro.

A edição do miR-17-92 foi um grande desafio, pois este microRNA é um cluster – conjunto de genes não-codificantes (que não se transformam em proteína) – composto por seis microRNAs diferentes. “Fomos um dos pioneiros em usar o CRISPR para esse tipo de RNA na tiroide”, conta César. (Confira o infográfico para saber mais sobre o método CRISPR).

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Fonte: ICB/USP

Descoberta de “calcanhar de aquiles” da proteína Nef, crucial na virulência do HIV e em sua capacidade de desencadear a Aids

Descoberta de ‘calcanhar de aquiles’ de proteína abre caminho para nova classe de medicamentos anti-HIV

Luciana Constantino | Agência FAPESP – A descoberta de um potencial “calcanhar de aquiles” da proteína Nef, crucial na virulência do HIV e em sua capacidade de desencadear a Aids, abre caminhos para a busca de uma nova classe de medicamentos contra o vírus. Pesquisadores conseguiram demonstrar uma estrutura que liga essa proteína a outra, chamada AP-2, e cuja função é regular a entrada na célula.

Com isso, está ficando cada vez mais clara a forma como Nef consegue “burlar” os mecanismos de defesa das células humanas e, assim, permitir que o HIV avance e reduza o tempo em que os sintomas da doença possam aparecer.

No artigo Hijacking of endocytosis by HIV-1 Nef is becoming crystal clear, publicado em agosto na Nature Structural & Molecular Biology (NSMB), o doutorando Yunan Januário e o professor Luis Lamberti Pinto da Silva, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), comentam a importância das recentes descobertas sobre essa proteína.

“Pesquisadores conseguiram obter a estrutura tridimensional entre Nef-CD4 e AP-2. Com isso, é possível ver as superfícies de contato, possibilitando outros estudos que gerem uma molécula para ocupar esse espaço e impeça o avanço dos efeitos da proteína. Essa ‘fotografia’ possibilita a busca de outras terapias anti-HIV”, explica Silva à Agência FAPESP.

Com mais de 15 anos de experiência na área, Silva foi convidado a comentar na publicação do grupo Nature o estudo Structural basis of CD4 downregulation by HIV-1 Nef, publicado na mesma edição da revista e cujo primeiro autor é a pesquisadora Yonghwa Kwon.

“Notavelmente, o estudo de Kwon e colaboradores mostra que Nef liga diretamente CD4 a AP-2. Também revela uma relação estrutural entre a regulação negativa de CD4 mediada por Nef e o antagonismo de Nef ao complexo principal de histocompatibilidade I (MHC-I)”, escrevem os dois brasileiros em seu artigo na NSMB.

Segundo Silva, já se sabe que Nef é fundamental para a progressão dos efeitos do HIV no desenvolvimento da Aids. Além disso, essa proteína pode continuar sendo produzida pelo organismo de pacientes em tratamento ou cujos níveis de vírus se mantenham abaixo dos detectáveis. “Isso tem sido relacionado com comorbidades da infecção. Nef é importante e não existe nenhuma droga para atacá-la”, completa o professor.

Ao longo dos últimos quase 40 anos, desde a descoberta do vírus da imunodeficiência humana como agente causador da Aids, as pesquisas vêm desvendando os intrincados mecanismos pelos quais o HIV ataca o sistema imunológico, invadindo e controlando as células. Mas até agora não foi possível bloquear diretamente a Nef, que já se mostrou uma proteína multifuncional e com intrincado sistema de funcionamento. Ela não faz parte da estrutura do HIV, mas modifica a célula para acomodar a replicação do vírus.

Atualmente, os medicamentos antirretrovirais, divididos em classes, agem no sistema imunológico do paciente, bloqueando as diferentes fases do ciclo de multiplicação do HIV, reduzindo a carga viral e até impedindo o desenvolvimento da doença.

Entre os antirretrovirais mais comuns estão, por exemplo, inibidores da transcriptase reversa (nucleosídeos e não nucleosídeos), que atuam nessa enzima para tornar defeituosa a cadeia de DNA que o vírus cria dentro da célula de defesa do organismo ou para bloquear diretamente sua multiplicação. Há também inibidores de protease e de integrase (proteína responsável pela integração do código genético do HIV ao da célula humana), além dos chamados inibidores de entrada, que bloqueiam receptores, como CCR5, e impedem o HIV de penetrar nas células de defesa.

A crescente resistência do HIV aos medicamentos atuais e os efeitos colaterais para pacientes, no entanto, têm feito com que cada vez mais se busquem novas formas de combater o vírus.

O Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) calcula que, em 2019, cerca de 38 milhões de pessoas viviam com o vírus em todo o mundo, dos quais 1,8 milhão de crianças com até 14 anos. Já o Ministério da Saúde estima que aproximadamente 866 mil brasileiros eram portadores do HIV no ano passado. Do total no mundo, 67% tinham acesso à terapia antirretroviral, segundo a Unaids.

Outras ligações

Por meio dos trabalhos com seu grupo de pesquisa na USP de Ribeirão Preto, Silva publicou no início do ano um estudo mostrando como Nef utiliza uma outra proteína celular, a AP-1G2, e o ponto entre essas duas vias. Esse trabalho teve o apoio da FAPESP.

Ao analisar os efeitos de Nef no sistema de endomembranas da célula hospedeira, o grupo descreveu os mecanismos pelos quais essa proteína utiliza uma outra, chamada AP-1G2, e manda o CD4 para os lisossomos – organelas com capacidade de degradar partículas –, retirando assim essas moléculas da superfície da célula. Essa ação de Nef facilita a saída de novos vírus da célula produtora, contribuindo para espalhar a infecção.

Isso porque o CD4 é o receptor usado pelo HIV para entrar na célula. Se ele permanece na superfície da célula produtora, esses novos vírus ficam presos e não se espalham tão facilmente. Por isso, Nef tira o CD4 da superfície da célula já infectada.

“Mostramos que há um ponto comum entre essas duas vias. Para mandar CD4 e MHC-I para o lisossomo, Nef sequestra uma terceira proteína da célula, comum às duas vias. Agora, com esse resultado, outros grupos podem mostrar a estrutura de Nef com a terceira proteína. Com isso, é possível obter um novo alvo, como foi feito com AP-2”, completa Silva.

Atualmente, o grupo de Silva trabalha em mais uma pesquisa, também com o apoio da FAPESP, cujo foco é descobrir novos alvos de Nef. “Vários ingredientes estão disponíveis. Agora tem de chegar alguém e costurar tudo isso para obter essa molécula capaz de inibir Nef”, conclui o pesquisador brasileiro.

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui

Workshop: Desmistificando a Revisão por Pares da Editora Karger

A Karger promove, dia 15/10/2020, às 15h o workshop Desmistificando a Revisão por Pares.

O objetivo é “tangibilizar e trazer mais para perto” o funcionamento do processo de Revisão por Pares da editora Karger e dar dicas práticas sobre quais são os fatores críticos de sucesso que os autores devem considerar em seus manuscritos para maiores chances de êxito durante o processo de revisão.

Às vezes o processo de Peer Review de alguma forma é acompanhado por um conceito um pouco “nebuloso” especialmente para pesquisadores jovens, sendo que na verdade na Karger tem uma cronologia muito clara, com sequência de análises bem racionais e tópicos bem objetivos do que são fatores críticos de sucesso, bem como fatores críticos de insucesso.
Os tópicos abordados nesta sessão são:

  • Qual a sequência completa de análises pela qual seu manuscrito passará
  • O que o Editorial Office Manager avaliará no seu artigo
  • O que o Editor-Chefe busca no seu artigo
  • O que Peer Reviewers desejam encontrar no seu artigo
  • O que Peer Reviewes NÃO desejam encontrar no seu artigo
  • Quais os erros mais comuns que devem ser evitados
  • Quais erros JAMAIS podem acontecer
  • Dicas ao receber o feedback de Aprovação ou Rejeição do seu manuscrito

Inscrições gratuitas aqui!

Fonte: Karger

Webinar: Como a COVID-19 está Alterando o Panorama do Ensino de Anatomia

Dave Hughes, Strategic Business Partnership Manager, Primal Pictures

A Dot.Lib promove, dia 30 de setembro de 2020, às 12h o webinar: Como a COVID-19 está Alterando o Panorama do Ensino de Anatomia.

Em parceria com a Primal Pictures — empresa responsável pela renderização gráfica em 3D mais precisa e detalhada do mundo da anatomia humana — o webinar buscará discutir as mudanças impostas pela pandemia da COVID-19 no âmbito educacional — e mais especificamente, no ensino de anatomia. Dave Hughes, Especialista de Produto da Primal Pictures será o palestrante.

Informações importantes:

1. O webinar será apresentado em inglês, sem tradução simultânea.

2. O número de vagas é limitado, portanto garanta já a sua participação realizando o cadastro.

Inscrições gratuitas aqui!

Fonte: Dot.Lib

“COVID-19 Response in Latin America” artigo de Profa. da FSP/USP recém-publicado no American Journal of Tropical Medicine and Hygiene

A professora Helena Ribeiro, do departamento de Saúde Ambiental da FSP-USP, está entre os autores do artigo “COVID-19 Response in Latin America”, recém-publicado no American Journal of Tropical Medicine and Hygiene. O trabalho assinado por pesquisadores de instituições da Aliança Latinoamericana de Saúde Global (ALASAG ) traz observações das primeiras respostas à pandemia de COVID-19, ocorridas no âmbito dos países da região.

A América Latina enfrentou a epidemia com dificuldades, devido a fatores socioeconômicos e contextuais, conta a professora Helena. Os autores discutem o contexto e as respostas iniciais de oito países selecionados na região, tendo como base as similaridades e também as diferenças nas estratégias de saúde pública, economia e área fiscal. O artigo traz valiosas contribuições ao debate sobre o que funcionou, o que não funcionou e o que esperar no desenrolar da epidemia.

Leia na íntegra o artigo “COVID19- Response in Latin America”: https://doi.org/10.4269/ajtmh.20-0765

Fonte: FSP/USP

Pesquisa analisa diagnóstico e tratamento de câncer no Brasil


Qual o futuro da medicina de precisão e das tecnologias de diagnóstico e tratamento do câncer? Como os médicos oncologistas veem o acesso da população brasileira aos recursos hoje disponíveis para lidar com a doença? E qual seria a expectativa desses profissionais sobre as possibilidades de incorporação de novas tecnologias nos próximos trinta anos? Respostas a essas perguntas foram colhidas na pesquisa Futuro das tecnologias de diagnóstico e tratamento do câncer 2019-2049, realizada pelo Centro de Estudos Estratégicos (CEE/Fiocruz), sob a coordenação do ex-diretor do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luiz Antonio Santini, e do ex-ministro da Saúde e membro titular da Academia Nacional de Medicina José Gomes Temporão, pesquisadores associados do Centro.

Inserida em uma linha de investigação do CEE/Fiocruz sobre o futuro do sistema de saúde, voltada à elaboração de políticas públicas sustentáveis, a pesquisa buscou saber como os profissionais que estão na ponta, atendendo pacientes no SUS e no setor privado, vêem as tecnologias do futuro voltadas ao câncer e que barreiras de acesso a diagnóstico e tratamento identificam.

O estudo destaca dois pontos importantes: uma única droga, uma bala de prata, que resolva o tratamento do câncer de forma definitiva está distante das expectativas dos profissionais; e, se sofisticadas tecnologias de diagnóstico e tratamento estão de fato no horizonte, o acesso a elas de forma equânime ainda é um desafio. “As possibilidades terapêuticas são consideradas promissoras, porém ainda num cenário de incertezas quanto a níveis específicos, sobretudo de custo efetividade”, analisa Santini. 

A pesquisa analisou a percepção dos médicos acerca de nove tecnologias emergentes, identificadas em estudo anterior, também do CEE/Fiocruz, como tendo grandes perspectivas de aplicação na atenção ao câncer no futuro: edição genômica, biópsia líquida, terapia celular, vacinas terapêuticas, vírus oncológicos, imagem molecular, terapias comanticorpos, terapias com RNA e tumor delivery.

Principais resultados

Os resultados sugerem a possibilidade de uma revolução na atenção ao câncer antes de 2049, na percepção dos oncologistas. Aqueles que acreditam que isso seja provável ou muito provável representaram 64,95% respondentes. 

Quase 40% das respostas indicaram, no entanto, ser improvável o desenvolvimento de tratamento monoterapêuco – 20% dos especialistas indicaram acreditar nessa probabilidade no período. As terapias com anticorpos foram consideradas as mais promissoras por 76,85% dos médicos. A melhoria na qualidade de vida do paciente e menos efeitos colaterais, bem como a possibilidade de melhoria nos prognósticos, foram fatores determinantes para essa percepção. No entanto, quando levado em conta o fator (in)viabilidadeda produção em escala industrial, essas mesmas terapias foram consideradas por um em cada cinco profissionais como a tecnologia mais problemática. 

Os resultados mostram ainda que mais da metade dos médicos entrevistados faz um bom acompanhamento das inovações tecnológicas (58% informaram acompanhar regularmente e 34%, de forma moderada). Chama a atenção também o fato de quase 41% dos profissionais médicos atuarem tanto no setor público quanto no privado, o que pode significar um aumento da participação do setor privado nos serviços oncológicos.

Em relação ao acesso a diagnóstico e tratamento, as avaliações mais otimistas quanto às possibilidades da incorporação das novas tecnologias apontam para o setor de Saúde Suplementar. Quanto ao SUS, são mencionadas ainda dificuldades quanto à agilidade de incorporação de novas drogas/tecnologias e acesso aos serviços. Entre as principais barreiras de acesso no setor público, destacou-se a baixa capacidade de atenção básica em diagnosticar precocemente a doença, e, no setor privado, a baixa cobertura dos planos de saúde.

“Foi identificada a importância da expansão do conhecimento em biologia tumoral e biomarcadores, assim como do desenvolvimento de novas terapias como grandes desafios para se alcançar a equidade, sustentabilidade e a viabilidade econômica da atenção ao câncer”, acrescenta Santini.

Saiba mais sobre metodologia, desdobramentos e outras informações no site do CEE/Fiocruz.

Fonte: CEE/FiocruzAgência Fiocruz de Notícias

Webinar gratuito: Tecnologia de Pesquisa em Ação

No dia 06 de outubro, das 14:30 às 17h acontece o Webinar Teconologia de Pesquisa em ação – Como chegar a conclusões novas e únicas através da pesquisa digital.
Os pesquisadores brasileiros têm acesso a milhões de documentos de fontes primárias através das coleções Gale Primary Sources adquiridas pela CAPES.
Neste webinar será mostrado como os ambientes de pesquisa exclusivos da Gale podem ajudá-lo a explorar estas coleções com uma nova lente e a alcançar resultados novos e únicos.

No webinar será apresentado:
Como usar os arquivos Gale Primary Sources adquiridos pela CAPES para analisar vários assuntos e tópicos de estudo.
Como obter melhores resultados em seus projetos de pesquisa através da aplicação de novas tecnologias. 
Como enriquecer o ensino das ciências humanas com conteúdo e ferramentas digitais inovadoras.
Como as bibliotecas acadêmicas desempenham um papel proeminente no avanço das humanidades digitais no campus. 

Registre-se aqui! 
   

InCor figura na 23ª posição no ranking dos 50 maiores centros de excelência em cardiologia do mundo

Melhores hospitais especializados do mundo 2021 - Cardiologia

Melhores hospitais especializados do mundo 2021


Em nossas nove décadas, a Newsweek cobriu todos os aspectos da assistência à saúde – desafios científicos, perturbações econômicas, o milagre médico ocasional e, acima de tudo, o que esses desenvolvimentos significam para nossos leitores. Como parte desse compromisso, foi realizada uma parceria com a Statista Inc. , empresa global de pesquisa de mercado e dados do consumidor, para classificar os melhores hospitais do mundo.

Aqui foram classificados os melhores hospitais em cardiologia , oncologia e endocrinologia . Cada lista inclui uma classificação dos 50 melhores hospitais globais, enquanto as classificações de 51 a 100/200 são classificadas em ordem alfabética. 

Acesse a lista aqui!

Fonte: Newsweek

Webinars da Emerald Publishing

A Emerald promove webinars gratuitos:

Foto por Negative Space em Pexels.com

Dia 29 de setembro – 15h
Como encontrar pesquisa de alta qualidade com a palestrante Tutilla Aragão – Especialista Emerald.

O webinar terá como tópicos: 
• Como encontrar periódicos e outras publicações da Emerald.
• Os benefícios de criar um perfil personalizado.
• Recursos gratuitos para pesquisadores, autores e bibliotecários.

Inscrições gratuitas aqui!

Dia 25 de novembro – 15h
Impacto Real: perspectivas sobre o impacto da pesquisa e
seu futuro com o palestrante Prof. Dr. Marcio de Castro Silva Filho – Pró-Reitor Adjunto – USP

Inscrições gratuitas aqui!

Fonte: AGUIA/USP

Covid-19: como o vírus saltou de morcegos para humanos

Mudanças climáticas, intervenção humana em áreas preservadas, caça e tráfico de animais silvestres e má condições de higiene em criadouros são fatores que facilitam o aparecimento de novas doenças

Pandemias como a que estamos vivendo, infelizmente, já eram esperadas por autoridades e cientistas. Tudo por causa do estilo de vida contemporâneo. A destruição de habitats naturais, manuseio de carne sem os protocolos de higiene, consumo de animais silvestres, criação intensiva de animais domésticos e mudanças climáticas são apontados como os principais causadores de pandemias, epidemias e surtos epidêmicos no mundo. E a fórmula é simples: quanto mais nos aproximamos de áreas preservadas, mais entramos em contato com patógenos nunca antes vistos.

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É aí que surge o fenômeno conhecido como spillover (termo em inglês que pode ser traduzido como transbordamento) que torna-se cada vez mais frequente, e aqui vamos entender o porquê. O spillover é usado em Ecologia para dizer que um vírus ou micróbio conseguiu se adaptar e ir de um hospedeiro para outro. E foi assim, migrando dos morcegos para os seres humanos (tendo, talvez, os pangolins como intermediários) que o SARS-CoV-2 atingiu esses números impressionantes.

A simulação

Nova York, outubro de 2019. Especialistas em saúde, autoridades governamentais e empresários se reúnem para planejar uma resposta a uma epidemia global. Um desconhecido coronavírus, chamado CAPS (Síndrome Pulmonar Associada ao Coronavírus, em português), começou com porcos no Brasil, contaminou agricultores e, em 18 meses, já havia se espalhado para várias partes do mundo. O saldo dessa pandemia deixou as autoridades em alerta: 65 milhões de pessoas perderam a vida, além de desencadear uma crise financeira global sem precedentes.

Para a nossa sorte, esse foi somente um exercício de treinamento, coordenado pelo Centro para Segurança de Saúde da Universidade John Hopkins, em parceira com o Fórum Econômico Mundial e a Fundação Bill e Melinda Gates. O objetivo foi tentar prever a nossa reação a um possível surto de um vírus nunca visto. Depois de três horas e meia, o grupo de 15 pessoas terminou a simulação. Ninguém conseguiu conter a propagação do vírus, apesar de todos os esforços.

A simulação aconteceu pouco antes da declaração de pandemia feita pela OMS, levantando suspeitas infundadas nas redes sociais. Na foto, Thomas Bach, Presidente do COI, e Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor Geral da OMS – Foto: Greg Martin/COI

Apenas um mês após a simulação, o governo chinês confirmou o primeiro caso de covid-19 em Wuhan, província de Hubei, na China. Ao que tudo indica, o SARS-CoV-2, vírus causador da doença, passou de animais para pessoas a partir do mercado central de Wuhan e se espalhou para vários países. O aumento no número de casos da doença e a disseminação global fizeram a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar pandemia de coronavírus em 11 de março. Desde então, o mundo tem assistido a milhares de óbitos e o Brasil, especificamente, já contava com 133 mil mortos e mais de 4 milhões de casos confirmados até o fechamento da reportagem.

Apesar das várias notícias em redes sociais afirmarem que os responsáveis pelo evento teriam previsto a pandemia de coronavírus, o Centro para a Segurança de Saúde da Universidade Johns Hopkins divulgou, em 24 de janeiro de 2020, uma resposta às publicações viralizadas. “Para esclarecer, o Centro para a Segurança de Saúde e seus sócios não fizeram uma previsão durante o exercício de simulação. Para o cenário, desenhamos um modelo de pandemia de coronavírus fictício, mas declaramos explicitamente que não se tratava de uma previsão.”

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Fonte: Jornal da USP