Efeitos da auriculoterapia com sementes de mostarda na dor lombar crônica

Release de Margareth Artur para o Portal de Revistas da USP, São Paulo, Brasil

Quem sente dor na coluna lombar é portador de lombalgia, uma doença que afeta os músculos e os ossos dessa região do corpo humano. Muitas vezes a lombalgia atrapalha o rendimento no trabalho, no dia a dia de profissionais de diversas áreas, tornando-se motivo de faltas constantes e licenças médicas. Como tratar essa dor? Os medicamentos, muitas vezes, mostram-se paliativos ou causadores de efeitos colaterais perigosos para o organismo. Hoje, novas alternativas de tratamento para dor estão disponíveis, contando com bons resultados. A acupuntura, por exemplo, é uma das terapias bem-aceitas, pois não são invasivas nem agridem o organismo.

O artigo da revista Fisioterapia e Pesquisa tem como tema discutir a auriculoterapia, uma técnica da acupuntura com sementes de mostarda, procedimentos e resultados em profissionais da Enfermagem. Essa técnica “utiliza o pavilhão auricular como um microssistema do organismo humano mapeado por pontos que, estimulados, podem tratar diversas enfermidades”, para isso se utilizam sementes de mostarda substituindo as agulhas tradicionais. Elas são inseridas na orelha e podem atuar no corpo por alguns dias. O artigo descreve a experiência da auriculoterapia em profissionais de enfermagem do sexo feminino atuantes em dois hospitais de Recife, PE, que sofrem de dor na coluna lombar e que assistem diretamente aos pacientes. 

De acordo com os autores, essa terapia faz com que o cérebro do paciente responda liberando substâncias que aliviam dores, estresse e ansiedade, tais como a endorfina, serotonina e encefalina. Chama atenção a alta percentagem de auxiliares de enfermagem acometidos de lombalgia, mais de 60%. Optou-se por essa técnica por não ser invasiva e de baixo custo. O estudo se propôs a constatar ou não a eficácia dessa terapia. Como a aplicação da mesma reduziu a pressão na coluna das profissionais e a dor na coluna diminuiu consideravelmente, a técnica obteve resultados positivos.

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Fonte: AGUIA/USP

New England – estudos significativos que impactaram a prática da medicina

Artigos Notáveis ​​do NEJM 2021

Artigos Notáveis ​​de 2021

Descubra quais artigos os editores do NEJM selecionaram como os mais significativos
para mudar a prática médica e melhorar o atendimento ao paciente em 2021.

Todos os anos, os editores da NEJM revisam a pesquisa publicada no New England Journal of Medicine e escolhem um número seleto de estudos clinicamente importantes para destacar na coleção anual Notable Articles.

Ao olharmos para 2021, o Covid-19 é inevitável, mas esta coleção reflete que o ritmo dos avanços médicos continua, independentemente da pandemia.

Dentro da coleção em PDF, você encontrará resumos de artigos, resumos de pesquisas e editoriais de 14 estudos importantes, além de uma carta do editor-chefe Eric J. Rubin, MD, Ph.D.

OS ESTUDOS EM DESTAQUE INCLUEM:
  • Silenciamento genético pós-transcricional de BCL11A para tratar a doença falciforme
  • Neuroprótese para decodificação da fala em uma pessoa paralisada com anartria
  • Manutenção ou descontinuação de antidepressivos na atenção primária
  • Molnupiravir para tratamento oral de COVID-19 em pacientes não hospitalizados

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Fonte: NEJM

Fiocruz submete novo teste de Covid-19 à Anvisa

Por meio do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), a Fiocruz acaba de finalizar o desenvolvimento de dois novos testes moleculares para o diagnóstico da Covid-19 e um desses teve seu pedido de registro submetido, nesta terça-feira (18/1), à Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa). Trata-se do Kit Molecular Inf A/Inf B/SC2, um teste do tipo RT-PCR que diferencia os vírus da Influenza A, B e do Sars-CoV-2, possibilitando o diagnóstico destas doenças em um único teste. 

“Sempre que falamos em infecção respiratória, nos referimos a um tipo de doença que pode ser provocada por uma enorme gama de microrganismos. Por apresentarem sintomas muito semelhantes, realizar a identificação do agente causador da doença sem a realização do diagnóstico laboratorial é algo desafiador. A disponibilização destes kits no Sistema Único de Saúde [SUS] permitirá de modo econômico e com alto processamento a identificação viral oportuna destes agentes, com o método que é o padrão ouro para o diagnóstico das doenças causadas por vírus respiratórios no mundo”, explica o virologista e pesquisador do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do IOC/Fiocruz Fernando Motta. O laboratório atua como referência em vírus respiratórios para o Ministério da Saúde.

Já o outro teste desenvolvido, o kit molecular Quadriplex SC2/VOC, vai permitir a detecção e triagem das variantes Alfa, Beta, Gama, Delta e Ômicron do vírus Sars-CoV-2, também com a tecnologia de PCR em Tempo Real (RT-PCR). Seu uso é indicado para o diagnóstico e triagem viral a partir da identificação de cepas potencialmente importantes para a saúde pública e vigilância epidemiológica do país, designadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como VOCs (sigla em inglês para variantes de preocupação). O resultado desse teste indica a presença ou não dessas variantes. Para a identificação da variante ainda seria necessário o sequenciamento genético da amostra. O teste Quadriplex deverá ser submetido para registro junto à Anvisa até a próxima semana. 

“Ambos os kits moleculares são mais uma importante contribuição de Bio-Manguinhos em um momento em que vivenciamos um aumento de casos de Covid-19, fruto da variante Ômicron, assim como estamos registrando um alto número de infectados pela influenza. Tais testes atestam a expertise do Instituto no campo do diagnóstico, sempre com respostas rápidas em momentos sensíveis”, afirma o vice-diretor de Desenvolvimento Tecnológico de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Sotiris Missailidis. 

Os novos testes foram desenvolvidos com o objetivo de apoiar as estratégias de enfrentamento da pandemia provocada pelo Sars-CoV-2 e suas variantes, e também dos casos de influenza, que vêm crescendo no país. A Fiocruz tem o diferencial de ter dentro da própria instituição toda a cadeia produtiva em saúde: desde a pesquisa, passando pelo desenvolvimento tecnológico até a produção final. “Por isso, unimos todo a expertise do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz, que é referência da Organização Mundial da Saúde em Covid-19 nas Américas, com a experiência e capacidade produtiva que já temos em Bio-Manguinhos”, destaca o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde, Marco Krieger.

Produção de testes

Além do desenvolvimento de novos testes para atender às demandas de monitoramento epidemiológico da Rede de Vigilância em Vírus Respiratórios da CGLAB/MS, a Fiocruz tem sido responsável pela produção de testes para o diagnóstico da Covid-19 desde o início do enfrentamento à pandemia. 

Até o momento, já foram fornecidos ao Ministério da Saúde cerca de 20 milhões de testes RT-PCR (moleculares). Em agosto de 2021, a instituição passou a produzir também testes rápidos de antígeno para os laboratórios públicos de todo o país. O fornecimento de testes ao Ministério da Saúde tem ocorrido de acordo com o cronograma e demanda estabelecida junto à pasta. Até o momento, já foram entregues cerca de 45 milhões desses testes. Atualmente, a Fiocruz é o maior produtor nacional de testes rápidos para o diagnóstico da doença e o maior fornecedor do SUS.

Fonte: FIOCRUZ

O comércio de trabalhos acadêmicos


ilbusca / iStock / Getty Images


O governo do Reino Unido propôs uma reforma na legislação educacional que, se for aprovada, tornará ilícita a venda de trabalhos acadêmicos. A Câmara dos Comuns começou a discutir em outubro uma nova regulação para as instituições de ensino superior, com o objetivo de garantir formação de alta qualidade a profissionais em áreas consideradas estratégicas, como engenharia, energias limpas e manufatura. Um dos dispositivos do projeto propõe transformar em crime as atividades das chamadas “fábricas de ensaios”. São sites da internet que, em troca de dinheiro, produzem trabalhos encomendados por estudantes, comprometendo, assim, a integridade do processo de avaliação de desempenho acadêmico.

“Essas empresas são completamente antiéticas. Depreciam o esforço realizado pela maioria dos alunos e ainda lucram com isso”, afirmou à BBC Alex Burghart, subsecretário de Estado para Aprendizagem e Competências, subordinado ao Departamento de Educação do Reino Unido.

A detecção desse tipo de fraude é difícil. Muitos serviços oferecem garantias de que os trabalhos são bem escritos e imunes aos softwares antiplágio, mas, quando o embuste é identificado pelos professores, os estudantes são punidos. Já as fábricas de ensaios não sofriam nenhuma consequência no Reino Unido, dada a ausência de legislação sobre seu funcionamento.

Durante a pandemia, as universidades investiram na supervisão remota das provas on-line. Muitas contrataram serviços de empresas especializadas em monitorar estudantes durante a realização de exames, bloqueando seus navegadores da internet e vigiando-os pelas câmeras de seus notebooks. Mas há evidências de que a cola ganhou espaço com a migração do ensino presencial para o on-line e que as opções para trapacear ficaram mais numerosas. A Agência de Garantia de Qualidade para a Educação Superior, um órgão fiscalizador das universidades do Reino Unido, contabilizou 932 fábricas de ensaios em operação atualmente, ante 638 em 2018. Um levantamento recente feito pelo jornal Financial Times mostrou que um trabalho de história de mil palavras encomendado por um aluno de graduação sai por £ 124, o equivalente a pouco menos de mil reais,  e demora uma semana para ficar pronto. Já uma dissertação de mestrado com 15 mil palavras é cotada a £ 4 mil, o equivalente a R$ 30 mil – é preciso, nesse caso, fazer a encomenda com dois meses de antecedência. Segundo o diário, já houve casos de sites que chantagearam estudantes, ameaçando denunciá-los aos professores, por causa de atrasos no pagamento.

Se não há dúvida sobre o caráter fraudulento das fábricas de ensaios, outros serviços on-line de apoio a estudantes atuam na fronteira entre a mentoria personalizada e a cola sob encomenda. Aplicativos como os das empresas Chegg e Course Hero, sediadas na Califórnia, oferecem assinaturas mensais de US$ 10 a US$ 20 que dão aos estudantes acesso a soluções de milhões de questões de provas e de livros didáticos armazenados em seus bancos de dados, além de oferecer suporte para o dever de casa.

Os usuários podem pedir ajuda para resolver problemas a especialistas com pós-graduação em matemática, ciências, engenharia, entre outras disciplinas. Só a Chegg mobiliza uma rede de 70 mil profissionais freelancers sediados na Índia. Eles se dividem em turnos, tornando o serviço on-line disponível ininterruptamente, e fornecem o resultado e a resolução de questões apresentadas pelos assinantes às vezes em menos de 15 minutos – tempo curto o suficiente para fraudar provas realizadas remotamente. A empresa conta com 4,9 milhões de assinantes e teve receitas de US$ 198 milhões no último trimestre. “A trapaça agora é terceirizada internacionalmente, envolve empresas de bilhões de dólares e é impulsionada por capitalistas de risco e investidores de Wall Street”, escreveu Karen Symms Gallagher, especialista em educação on-line da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, em um artigo publicado em outubro no jornal Los Angeles Times. “Esse tipo de fraude não corrompe apenas o indivíduo de má-fé. Também corrói a fé em nosso sistema educacional, nos alunos honestos e nos profissionais de quem dependemos para criar tecnologias que realmente sirvam à interação humana e à boa tomada de decisões”, sustenta a professora.

Um levantamento feito por pesquisadores do Imperial College London, publicado no International Journal for Educational Integrity, analisou o número de pedidos submetidos ao Chegg em cinco áreas do conhecimento (ciência da computação, engenharia mecânica, engenharia elétrica, física e química) e comparou dois momentos: entre abril e agosto de 2019 e o mesmo período em 2020. Observou-se um aumento no volume de pedidos de 196%. Não foi possível avaliar quantas dessas solicitações vieram do Reino Unido, mas os resultados foram usados na exposição de motivos na reforma da legislação. “Os alunos foram forçados a estudar remotamente durante a pandemia, longe do bem-estar e do apoio do campus. Muitos ficaram desesperados e os serviços fraudulentos procuraram tirar proveito disso”, disse Chris Skidmore, ministro das universidades do Reino Unido entre 2019 e 2020, ao jornal The Guardian.
Na avaliação de Karen Gallagher, proibir o funcionamento das fábricas de ensaios, como se propõe no Reino Unido, pode ajudar a contê-las. Ela menciona o exemplo da Austrália, que baniu essas empresas em 2019 e obteve bons resultados, mas afirma que medidas complementares podem ser necessárias. “Empresas de meios de pagamento como Visa e PayPal deveriam parar de atuar como intermediárias entre os serviços fraudulentos e os estudantes”, sugere.

A empresa britânica de serviços educacionais Pearson publicou em outubro um relatório sobre a prevalência de trapaças em trabalhos de estudantes em que faz recomendações para as universidades. O documento cita uma pesquisa com 7 mil alunos de graduação de vários países em 2020, na qual 30% diziam não confiar em sua capacidade de produzir trabalhos com a qualidade exigida pelos professores. A Pearson sugere que as instituições ofereçam mais suporte técnico e emocional para estudantes em dificuldades e ampliem as atividades de mentoria para desenvolver trabalhos acadêmicos, em geral disponíveis apenas em dias úteis e em horários que os alunos precisam assistir às aulas.

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Anemia Perniciosa, doença autoimune causada pela deficiência de vitamina B12

Quando não identificada corretamente, a doença pode causar alterações crônicas cardíacas, respiratórias, neurológicas e psiquiátricas semelhantes à demência – Foto: Pixabay

Anemia perniciosa, um subtipo da anemia megaloblástica, caracteriza-se pela deficiência de vitamina B12, que não é absorvida pelo organismo. Formigamento e dificuldades para andar podem acometer o portador da doença. Guilherme Fonseca, médico hematologista do Departamento de Hematologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica que essa é uma doença autoimune na qual “você tem anticorpos que atacam as células parietais e causam a gastrite atrófica e levam à diminuição do fator intrínseco e à deficiência da vitamina B12.” Apesar de uma predisposição familiar, essa não é uma doença puramente genética. Entre as doenças autoimunes que podem contribuir para o problema, estão a diabetes do tipo 1, vitiligo e as que afetam a tireoide. É necessária uma exposição ambiental para disparar a genética do indivíduo propenso a essa deficiência. Seu diagnóstico é feito com base nas dosagens sanguíneas de ácido metilmalônico e homocisteína, que se encontram elevadas em 98% dos casos. 

Os sintomas podem ser os mais variados. A anemia pode causar fraqueza, mal estar e intolerância aos esforços. Já a falta da vitamina B12 pode ocasionar alteração da mucosa, chamada de língua lisa, na pele e neurológicas, como formigamento das mãos, dos pés e desequilíbrio.    A deficiência do fator intrínseco é a responsável pela  falta de vitamina B12. O fator intrínseco é uma molécula produzida pelo estômago que protege a vitamina B12 da degradação e permite que ela seja absorvida no final do intestino delgado.

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Fonte: Jornal da USP

Pequena proteína reduz níveis de açúcar, gera patente e pode ser aliada no combate à diabete

A partir de testes com animais, cientistas descobriram que o peptídeo Ric4, sintetizado a partir de uma proteína produzida nas células sanguíneas, aumentou a sensibilidade à insulina, que processa o açúcar no organismo e o leva para as células e, consequentemente, diminuiu a glicemia (nível de açúcar no sangue); na imagem, medidor de glicose
Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

Uma pequena proteína cuja origem são as células do corpo humano pode ter um grande papel no controle da diabete. Em pesquisa com participação do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, cientistas descobriram que o peptídeo Ric4, sintetizado a partir de uma proteína produzida pelas células sanguíneas, aumentou a sensibilidade à insulina e reduziu a glicemia, ou seja, o nível de açúcar no sangue. Os estudos sobre a estrutura e as propriedades do Ric4, realizados em animais, geraram uma patente que, no futuro, poderá dar origem a medicamentos para tratar a diabete, e que sirvam de alternativa à terapia com insulina.

Os resultados do trabalho são mostrados em artigo publicado no site da revista científica Pharmaceuticals, no último dia 16 de dezembro. A diabete tipo 2 acontece quando o corpo desenvolve resistência à insulina, responsável por processar o açúcar no organismo e levá-lo às células, o que aumenta a concentração de açúcar na corrente sanguínea.

“Há alguns anos, nosso laboratório desenvolveu um teste em modelo animal que encontrou alterações em um grupo de peptídeos intracelulares (InPeps), que são pequenas proteínas produzidas no interior das células, normalmente a partir de proteínas maiores”, explica ao Jornal da USP o professor Emer Ferro, do ICB, coordenador do estudo. “Os animais testados apresentaram maior sensibilidade à insulina e, consequentemente, maior captação de glicose e glicemia reduzida. Nossa hipótese era de que isso aconteceu devido às alterações nos níveis de InPeps.”

Em seguida, os pesquisadores sintetizaram quimicamente em laboratório quatro peptídeos, que foram denominados Ric1, Ric2 e Ric3 e Ric4. “O Ric 1 e o Ric2 foram identificados no músculo gastrocnêmio (batata da perna) e são derivados da proteína troponina I; o Ric3 foi encontrado no tecido adiposo epididimal (na região do púbis), produzido a partir da proteína de ligação acil-CoA, e o Ric4 é derivado da subunidade alfa da hemoglobina, proteína existente no sangue”, descreve o professor. “Nosso objetivo foi identificar se algum desses peptídeos poderia reproduzir farmacologicamente a maior sensibilidade à insulina e à glicemia reduzida observada nos animais.”

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Fonte: Jornal da USP

Conscientização da população tornou positivo saldo do primeiro ano de vacinação contra a covid-19

As primeiras doses das vacinas pediátricas chegaram ao Brasil no último dia 13 – Foto: Pfizer

Há um ano, o Brasil iniciou o processo de imunização contra o coronavírus em São Paulo ao vacinar a enfermeira Mônica Calazans, primeira pessoa imunizada no País. Aqui, atualmente, enfrenta-se uma nova fase da pandemia, com o aumento do número de casos com a variante ômicron e se inicia a vacinação de crianças a partir desta segunda-feira (17). Esper Kallás, infectologista e professor do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, comenta ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição sobre os saldos positivos da campanha vacinal brasileira e a urgência da vacinação infantil.

“As vacinas contribuíram enormemente para o enfrentamento da pandemia”, comenta Kallás, ao lembrar que o Brasil teve quatro imunizantes aplicados ao longo do último ano. Em novembro de 2020, por exemplo, o grupo de idosos acima de 60 anos representava 79% das mortes por infecção pelo coronavírus. Após o início da vacinação, de acordo com uma análise do banco de dados do SUS feita pelo veículo Poder360, a faixa etária passou a representar quase 58% das mortes, uma diminuição evidente e que foi possível devido à imunização. Kallás analisa que a vacinação trouxe muitos impactos positivos e um deles foi a queda de internação de idosos durante a segunda onda, que aconteceu entre maio e junho.

“Nós não sofremos da mesma forma que os outros países com a onda delta graças à vacinação”, lembra o infectologista.

Ômicron e vacinação infantil

A variante omicrôn, classificada como variante de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi descoberta em novembro do ano passado e, desde então, causou o aumento do número de casos de infecção em todo o mundo, batendo o recorde de 3,2 milhões de casos em 24 horas e aumento de 600% da média móvel no Brasil.

Mais transmissível e mais agressiva em não vacinados, Kallás explica que a variante omicrôn causa sintomas leves da covid-19 em vacinados e que a vacina é o fator que impede o desenvolvimento de quadros graves da doença. “Mesmo que o vírus passe pela defesa inicial e comece a causar um quadro de nariz entupido, dor de garganta, dor de cabeça e um pouco de febre, a vacina está protegendo a pessoa de não ir parar no hospital”, avalia Kallás, ao lembrar que, na Europa e nos Estados Unidos, mais de 95% das internações por covid-19 são de pessoas não vacinadas.

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Fonte: Jornal da USP

Estudo alerta para altos níveis de depressão e pensamentos suicidas em trabalhadores de saúde na América Latina durante a pandemia

Salud mental de los trabajadores de salud

OPAS pede proteção à saúde mental dos trabalhadores de saúde e alerta que a pressão sobre eles devido ao recente aumento de casos da COVID-19 pode seguir afetando sua saúde

Washington, D.C., 13 de janeiro de 2022 (OPAS) – Trabalhadores de saúde de onze países latino-americanos apresentam altas taxas de sintomas depressivos, pensamentos suicidas e sofrimento psíquico, conforme os resultados de um estudo liderado pela Universidade do Chile e Universidade da Columbia (nos Estados Unidos), com a colaboração da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

O relatório COVID-19 Health care wOrkErs Study (HEROES) mostra que entre 14,7% e 22% dos trabalhadores de saúde entrevistados em 2020 apresentaram sintomas que levaram à suspeita de um episódio depressivo, enquanto entre 5% e 15% dos trabalhadores disseram que pensaram em cometer suicídio. O estudo também mostra que, em alguns países, apenas cerca de um terço dos que disseram precisar de atendimento psicológico realmente o receberam.

“A pandemia mostrou o desgaste dos trabalhadores de saúde e, nos países onde o sistema de saúde entrou em colapso, o profissional sofreu com jornadas extenuantes e dilemas éticos que tiveram impacto em sua saúde mental”, disse Anselm Hennis, diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS. “A pandemia não acabou. É fundamental cuidar de quem cuida de nós”, frisou.

O relatório realizou entrevistas com 14.502 trabalhadores de saúde da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Bolívia, Guatemala, México, Peru, Porto Rico, Venezuela e Uruguai, e contou com a participação de acadêmicos e pesquisadores de dezenas de instituições desses países.

A necessidade de apoio emocional e financeiro, preocupação em contagiar familiares, conflitos com parentes de pessoas infectadas e mudanças nas funções habituais de trabalho foram alguns dos principais fatores que afetaram a saúde mental dos funcionários.

Por outro lado, confiar que a instituição de saúde e o governo conseguiriam lidar com a pandemia, ter o apoio dos colegas de trabalho e se considerar uma pessoa espiritual ou religiosa foram citados como alguns dos fatores que ajudaram a proteger sua saúde mental.

“A pandemia aumentou o estresse, a ansiedade e a depressão dos trabalhadores de saúde e expôs a falta de políticas específicas para proteger a saúde mental. Há uma dívida de saúde que deve ser paga”, considerou Rubén Alvarado, acadêmico do programa de saúde mental da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile e um dos principais pesquisadores do estudo.

O relatório destaca que é urgente desenvolver políticas específicas que permitam organizar ações para proteger a saúde mental desses trabalhadores. Nesse sentido, recomenda-se modificar o ambiente laboral e garantir condições de trabalho adequadas. Além disso, conceder remuneração digna, condições contratuais estáveis ​​e criar espaços onde as equipes possam conversar, desabafar e praticar o autocuidado.

Da mesma forma, o documento pede apoio aos trabalhadores de saúde para o cuidado de seus filhos e pessoas idosas sob seus cuidados, já que a maioria são mulheres e cuidadoras. Recomenda-se também colocar em prática as diretrizes para proteger a saúde mental dos trabalhadores dos centros de saúde e tornar os serviços de saúde mental acessíveis a esses trabalhadores.

“Após dois anos da pandemia, muitos trabalhadores ainda não recebem o apoio que precisam e isso pode fazer com que desenvolvam diferentes transtornos mentais nos próximos anos, algo para o qual temos que estar preparados”, alertou Ezra Susser, da Univer.

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Fonte: OPAS

Colesterol alto é o vilão na maioria dos casos de pedra na vesícula

Normalmente, o cálculo biliar ocorre em adultos a partir dos 40 anos, e quanto mais velho maior a probabilidade de casos

Com certeza você já ouviu falar em pedras na vesícula, mas você sabe do que se trata? Como perceber que algo não está bem ? Que tipo de dor causa ? Especialista da Universidade de São Paulo ajuda a entender o que é Litíase Biliar, o nome que se dá a essa doença.

O professor titular do Departamento de Cirurgia e Anatomia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, José Sebastião dos Santos,  médico cirurgião, especialista em cirurgia geral do aparelho digestivo, chefe da divisão de cirurgia digestiva e coordenador do Centro de Endoscopia do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCFMRP_USP, explica que a vesícula é um pequeno órgão localizado no fígado. As pedras são depósitos de fluidos digestivos que variam de tamanho e número e podem ou não provocar sintomas. 

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Fonte: Jornal da USP

Ômicron e as vacinas de vírus inativados

Vacinação em massa em razão do Templo Prambanan.
Um homem em trajes tradicionais javaneses recebe uma dose da vacina Sinovac COVID-19 em um templo em Yogyakarta, na Indonésia.
Crédito: Ulet Ifansasti/Getty

As vacinas COVID-19 mais usadas no mundo oferecem pouca ou nenhuma proteção contra a infecção com a variante Omicron que se espalha rapidamente , sugerem evidências laboratoriais.

As vacinas de vírus inativado contêm partículas de SARS-CoV-2 que foram tratadas quimicamente para impossibilitar que causem uma infecção. Estáveis ​​e relativamente fáceis de fabricar, essas vacinas foram amplamente distribuídas como parte da diplomacia global de vacinas da China, ajudando-as a se tornar a vacina preferida em muitos países. Mas uma infinidade de experimentos mostra que eles são consistentemente prejudicados pela Ômicron.

Muitas pessoas que recebem duas injeções de uma vacina inativada não conseguem produzir moléculas imunes que podem combater a transmissão Ômicron. E mesmo após uma terceira dose de uma vacina inativada, os níveis de anticorpos ‘neutralizantes’ de um indivíduo, que fornecem uma proteção potente contra a infecção viral das células, tendem a permanecer baixos. Uma terceira dose de outro tipo de vacina, como as baseadas em RNA mensageiro ou proteínas purificadas , parece oferecer melhor proteção contra o Ômicron.

As descobertas estão levando muitos cientistas e pesquisadores de saúde pública a reavaliar o papel das vacinas inativadas na luta global contra o COVID-19.

“Nesta fase, temos que evoluir nossas ideias e ajustar nossas estratégias de vacinação”, diz Qiang Pan-Hammarström, imunologista clínico do Instituto Karolinska em Estocolmo.

Bilhões servidos

As vacinas inativadas foram fundamentais na campanha pela cobertura vacinal mundial no ano passado. Eles incluem os fabricados pelas chinesas Sinovac e Sinopharm, que juntas respondem por quase 5 bilhões das mais de 11 bilhões de doses de vacina COVID-19 entregues globalmente até agora, de acordo com números compilados pela empresa de rastreamento de dados Airfinity em Londres (consulte ‘Muitos escudos contra o COVID-19’). Mais de 200 milhões de doses de outras injeções inativadas, como o Covaxin da Índia, o COVIran Barekat do Irã e o QazVac do Cazaquistão também foram entregues.

Fonte: Nature