Pequena proteína reduz níveis de açúcar, gera patente e pode ser aliada no combate à diabete

A partir de testes com animais, cientistas descobriram que o peptídeo Ric4, sintetizado a partir de uma proteína produzida nas células sanguíneas, aumentou a sensibilidade à insulina, que processa o açúcar no organismo e o leva para as células e, consequentemente, diminuiu a glicemia (nível de açúcar no sangue); na imagem, medidor de glicose
Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

Uma pequena proteína cuja origem são as células do corpo humano pode ter um grande papel no controle da diabete. Em pesquisa com participação do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, cientistas descobriram que o peptídeo Ric4, sintetizado a partir de uma proteína produzida pelas células sanguíneas, aumentou a sensibilidade à insulina e reduziu a glicemia, ou seja, o nível de açúcar no sangue. Os estudos sobre a estrutura e as propriedades do Ric4, realizados em animais, geraram uma patente que, no futuro, poderá dar origem a medicamentos para tratar a diabete, e que sirvam de alternativa à terapia com insulina.

Os resultados do trabalho são mostrados em artigo publicado no site da revista científica Pharmaceuticals, no último dia 16 de dezembro. A diabete tipo 2 acontece quando o corpo desenvolve resistência à insulina, responsável por processar o açúcar no organismo e levá-lo às células, o que aumenta a concentração de açúcar na corrente sanguínea.

“Há alguns anos, nosso laboratório desenvolveu um teste em modelo animal que encontrou alterações em um grupo de peptídeos intracelulares (InPeps), que são pequenas proteínas produzidas no interior das células, normalmente a partir de proteínas maiores”, explica ao Jornal da USP o professor Emer Ferro, do ICB, coordenador do estudo. “Os animais testados apresentaram maior sensibilidade à insulina e, consequentemente, maior captação de glicose e glicemia reduzida. Nossa hipótese era de que isso aconteceu devido às alterações nos níveis de InPeps.”

Em seguida, os pesquisadores sintetizaram quimicamente em laboratório quatro peptídeos, que foram denominados Ric1, Ric2 e Ric3 e Ric4. “O Ric 1 e o Ric2 foram identificados no músculo gastrocnêmio (batata da perna) e são derivados da proteína troponina I; o Ric3 foi encontrado no tecido adiposo epididimal (na região do púbis), produzido a partir da proteína de ligação acil-CoA, e o Ric4 é derivado da subunidade alfa da hemoglobina, proteína existente no sangue”, descreve o professor. “Nosso objetivo foi identificar se algum desses peptídeos poderia reproduzir farmacologicamente a maior sensibilidade à insulina e à glicemia reduzida observada nos animais.”

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Fonte: Jornal da USP

Estudo identifica novo mecanismo de regulação da inflamação sistêmica

Agência FAPESP * – Cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) descobriram que macrófagos do baço e do fígado se comunicam e atuam na regulação da inflamação sistêmica, resposta natural do sistema imune a infecções mais graves.

A descoberta abre novas perspectivas para entender melhor a importância da comunicação entre órgãos em infecções graves ou generalizadas, o que pode servir como base para estudar novos tratamentos.

A pesquisa foi publicada em artigo na revista Science Signaling e teve apoio da FAPESP pelo Projeto Temático “Hipotermia na sepse: causas e consequências”.

Macrófagos são células do sistema imune responsáveis por fiscalizar alterações nos tecidos, induzindo a produção de proteínas, chamadas de citocinas, que “avisam” o organismo de que há um agente infeccioso que precisa ser eliminado. Até então, acreditava-se que os macrófagos do baço eram os maiores produtores de TNF, a primeira citocina pró-inflamatória liberada durante uma infecção.

No entanto, segundo o pesquisador Alexandre Steiner, coordenador do estudo, em entrevista para a Acadêmica Agência de Comunicação, esse papel parece ser dos macrófagos do fígado, que por sua vez recebem um estímulo do baço.

“Em modelos animais de inflamação sistêmica, nós verificamos que a produção de TNF no fígado foi aumentada pelo leucotrieno B4 (LTB4) liberado pelo baço. O LTB4 é um mediador derivado do metabolismo de lipídios que participa da regulação da inflamação”, explica Steiner. Segundo ele, muitos estudos mostravam que, quando o baço é retirado, os níveis de TNF ficam reduzidos. “Isso nos surpreendeu, pois agora acreditamos que o TNF diminui devido à falta de estímulo do baço no fígado, e não porque o baço é o principal produtor. O baço deixa de ser visto de forma isolada”, completa.

A regulação da inflamação sistêmica, feita pela comunicação entre baço e fígado, é importante para que haja um equilíbrio na resposta imune. Indivíduos que produzem pouco TNF são imunossuprimidos, ou seja, apresentam uma resposta imune menos eficaz, enquanto o excesso de TNF pode resultar em uma inflamação sistêmica exacerbada, causando danos ao organismo.

“Falhas nesse mecanismo de regulação podem ajudar a explicar a sepse, infecção generalizada que é a principal causa de morte nas UTIs, chegando a 65% no Brasil”, comenta o pesquisador.

Steiner acredita que, por meio de um maior entendimento das interações entre órgãos, futuramente será possível desenvolver estratégias para uma medicina personalizada, com formas de ativar mais o sistema imune ou reduzir a sua atividade, dependendo da necessidade de cada paciente. “A ativação do sistema imune poderia ser feita por meio da administração de leucotrieno B4 ou de outro composto similar, por exemplo. Ao mesmo tempo, para diminuir essa atividade, podemos aplicar um antagonista de leucotrieno B4 – que não impede a produção de TNF e o combate à infecção, apenas reduz.”

O estudo foi feito em modelos de inflamação sistêmica induzida por lipopolissacarídeos (LPS), que são fragmentos de bactérias. Agora o grupo pretende analisar esse mecanismo nas próprias doenças infecciosas e entender em quais circunstâncias há uma maior ou menor ativação do eixo baço-fígado. “Além disso, buscamos compreender qual é a influência da obesidade, do envelhecimento e de outras condições nesse contexto”, conclui o pesquisador.

*Com informações da Assessoria de Comunicação do ICB-USP .
 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND.

Pesquisadores da USP isolam variante ômicron do sars-cov-2

Nova variante foi isolada no Instituto de Ciências Biomédicas. Amostras devem ser enviadas a laboratórios e centros de pesquisa em todo o País 

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP conseguiram isolar a cepa da variante ômicron do sars-cov-2. Amostras da variante estão sendo cultivadas em células e, dentro de duas semanas, começarão a ser distribuídas para laboratórios com Nível 3 de Biossegurança (NB-3) e pesquisadores de todas as regiões do Brasil a fim de ajudar a detectar a disseminação da ômicron pelo País. Além disso, o isolamento da nova cepa permitirá avaliar a eficácia das vacinas contra a nova cepa aplicadas atualmente na população brasileira.

“É a primeira vez que a cepa ômicron é isolada no Brasil”, diz Edison Luiz Durigon, professor do ICB e coordenador do projeto, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A cepa da variante ômicron foi detectada em um casal de brasileiros que mora na África do Sul e que veio ao Brasil a passeio. O casal passou por exames no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, que detectou a infecção pelo coronavírus e encaminhou amostras ao ICB na última quarta-feira (8).

“Essa amostra foi rapidamente sequenciada pelo hospital, que confirmou que era a cepa ômicron. Pegamos essa amostra e colocamos em cultura de célula”, explica Durigon.

O grupo de pesquisadores do ICB também foi o primeiro a conseguir isolar e cultivar em laboratório a cepa original do sars-cov-2 que chegou ao Brasil, no final de fevereiro de 2020.

Na época, alíquotas do vírus cultivado em laboratório foram distribuídas para grupos de pesquisa e laboratórios clínicos públicos e privados em todo o País e permitiram o desenvolvimento dos primeiros testes diagnósticos de covid-19 no Brasil e a realização de estudos sobre a doença.

“Agora, estamos preparando alíquotas da cepa ômicron para poder distribuir para laboratórios e grupos de pesquisadores que queiram padronizar novos testes para identificar essa variante rapidamente em outras cidades e Estados”, afirma Durigon.

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Fonte: Jornal da USP

I Simpósio do Programa de Pós-graduação em Fisiologia Humana do ICB-USP

O II Simpósio de Fisiologia Humana ICB-USP, desenvolvido por discentes e docentes do programa de pós-graduação, acontece dias 09 e 10 de dezembro, das 8h às 17h e tem como principal objetivo ampliar a troca de conhecimento e experiências entre pesquisadores de diferentes áreas de atuação em Fisiologia Humana.

O evento será inteiramente on-line e com duração de dois dias. Serão realizadas conferências e apresentação de trabalhos de pós-graduandos, pós doutorandos e estudantes de iniciação científica do departamento e discentes regulares matriculados no PPG Multicentrico em Ciências Fisiológicas.

As inscrições para ouvintes já estão abertas.

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Fonte: ICB/USP

Estudo sobre vacina contra glioblastoma, tipo mais comum e agressivo de tumor maligno cerebral, foi premiado pela USA Brain Tumor Society

O estudo sobre vacina de células dendríticas contra glioblastoma, tipo mais comum e agressivo de tumor maligno cerebral, foi premiado pela USA Brain Tumor Society, durante o Congresso de Cirurgiões Neurológicos que aconteceu em outubro no Texas, nos Estados Unidos.

O cirurgião Prof. Guilherme Lepski, Livre-Docente do Departamento de Neurologia da FMUSP, é um dos cientistas que participou do desenvolvimento da vacina.

Segundo o professor, “o reconhecimento de uma sociedade tão prestigiosa reforça nosso compromisso em ajudar os pacientes com glioblastoma e apoiar suas famílias”.

A vacina para combater o glioblastoma foi resultado de uma parceria entre o Departamento de Neurologia da FMUSP e o Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Desenvolvida a partir de estudos internacionais relacionados à imunoterapia, a vacina utiliza células dendríticas para ativar uma resposta mais eficaz do próprio sistema de defesa do paciente.

Os resultados positivos do imunizante no combate ao glioblastoma poderão, em um futuro próximo, complementar procedimentos como cirurgia, quimioterapia e radioterapia, usualmente utilizados no tratamento do câncer.

Fonte: FMUSP

Cientistas identificam enzimas que podem ser ferramentas para combater resistência a antibióticos

Foto por Anna Shvets em Pexels.com

Características únicas das gentamicinas possibilitam modificações em outros antibióticos da mesma classe para torná-los menos sensíveis à resistência. As alterações também podem diminuir a toxicidade dos compostos

 Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP determinaram a estrutura e a função de duas enzimas envolvidas na produção de gentamicinas pela bactéria de solo Micromonospora echinospora, responsáveis por tornar esse antibiótico menos suscetível à resistência das bactérias. O conhecimento produzido pelo grupo pode servir de base para modificar outros antibióticos da mesma classe, os aminoglicosídeos, tornando-os capazes de contornar a resistência desenvolvida pelas bactérias e diminuindo a sua toxicidade, o que permitiria um uso mais abrangente desses fármacos. O trabalho, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e que fez parte da tese de doutorado da pesquisadora Priscila dos Santos Bury, foi publicado na revista científica ACS Catalysis em setembro deste ano.

A gentamicina é frequentemente utilizada na forma de cremes e pomadas para tratamento de infecções tópicas, mas não costuma ser aplicada para tratar infecções internas por ser tóxica para o ouvido e para os rins. É considerada um antibiótico injetável de último recurso, para casos de infecções muito resistentes. “Os aminoglicosídeos foram descobertos na década de 1950 e tratam diversas infecções bacterianas sérias, como a tuberculose. Por serem moléculas mais antigas e já terem sido amplamente utilizadas, as bactérias já adquiriram resistência a muitas delas”, explica o professor Marcio Vinícius Bertacine Dias, coordenador do estudo e responsável pelo Laboratório de Biologia Estrutural Aplicada do ICB.

Feita em colaboração com cientistas da Universidade de Wuhan, na China, e da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, a pesquisa focou em identificar quais eram as enzimas que realizam as últimas modificações na biossíntese das gentamicinas, tornando-as capazes de driblar a resistência das bactérias e manter a sua eficácia – característica que é única dentro de sua classe. O estudo identificou a estrutura e função das enzimas GenB3 e GenB4, que são muito similares, mas catalisam reações totalmente diferentes, algo raro dentro da bioquímica.

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Fonte: Jornal da USP

Molécula derivada de corante inativa o SARSCoV2 e pode ser usada em produtos de higiene bucal

Elton Alisson | Agência FAPESP – Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), em parceria com a empresa Golden Technology, conseguiram produzir em escala uma molécula derivada do corante ftalocianina capaz de inativar o SARS-CoV-2.

Testes feitos no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP) e publicados na revista Scientific Reports demonstraram que o composto reduziu em 99,96% a carga viral em culturas de células sem causar alterações metabólicas (efeitos citotóxicos).

Já um ensaio clínico conduzido por pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP) revelou que o uso intensivo de um enxaguante bucal contendo o composto antiviral por pacientes internados em um hospital público da cidade, em estágio inicial da infecção, contribuiu para diminuir os sintomas e o tempo de internação.

Os estudos tiveram apoio da FAPESP.

“A molécula é capaz de se ligar ao oxigênio presente no ar. Quando ocorre essa ligação, o oxigênio torna-se mais ativo, causando danos oxidativos no vírus”, diz à Agência FAPESP Koiti Araki, professor do IQ-USP e coordenador do projeto.

A ftalocianina de ferro possui grupos aniônicos – grupos iônicos com carga negativa – que ativam o íon de ferro situado no centro da molécula para que consiga se ligar ao oxigênio presente no ar e torná-lo reativo. Dessa forma, o oxigênio passa a se comportar como o ozônio ou o peróxido de hidrogênio, causando danos oxidativos em microrganismos como vírus, fungos e bactérias.

Em parceria com pesquisadores da empresa Golden Technology, sediada em São José dos Campos, Araki conseguiu nos últimos anos desenvolver um processo para produzir a molécula em escala.

“Esse ativo é difícil de produzir e os rendimentos eram muito baixos. No laboratório, conseguimos desenvolver um processo que diminuiu em mais de 90% a quantidade de resíduos e reagentes, bem como o tempo de produção”, afirma Araki.

Aplicações anti-COVID-19

A ideia inicial era aplicar a molécula para eliminar odores desagradáveis produzidos por microrganismos em tecidos e para a remoção de germes em diversos tipos de ambientes.

Com o surgimento da COVID-19, os pesquisadores tiveram a iniciativa de avaliar se o composto seria capaz de causar danos oxidativos no SARS-CoV-2 e inativá-lo. Para isso, procuraram o professor do ICB-USP Edison Luiz Durigon, que coordena um laboratório com nível 3 de biossegurança (NB3), onde é possível manipular patógenos como o SARS-CoV-2.

O grupo de Durigon foi o primeiro no Brasil a isolar e cultivar em laboratório o novo coronavírus, a partir de amostras coletadas dos primeiros pacientes brasileiros diagnosticados com a doença no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo (leia mais em https://agencia.fapesp.br/32692/). Após esse feito, os pesquisadores passaram a ser procurados por startups e empresas interessadas em testar a eficácia de produtos voltados ao combate da COVID-19, como testes de diagnósticos e nanopartículas de prata com ação virucida aplicadas na superfície de diversos tipos de materiais, produzidas pela Nanox – uma empresa apoiada pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP.

“Já testamos no laboratório vários antivirais que funcionaram contra o SARS-CoV-2, mas nenhum em uma concentração tão baixa quanto essa molécula”, compara Durigon.

“O composto tem ação imediata contra o vírus. As reações oxidativas provocadas por ele destroem o envoltório lipoproteico do novo coronavírus”, relata o professor do ICB-USP.

Após a ação da molécula ser comprovada, a Golden Technology desenvolveu e lançou em julho de 2020 uma máscara cirúrgica antiviral recoberta com a substância.

De acordo com os pesquisadores, o efeito antiviral e a eficiência de filtração bacteriana (BFE) do material duram 12 horas. Dessa forma, é possível usar a máscara antiviral durante três horas em um dia e continuar usando nos dias seguintes até completar 12 horas de uso, por exemplo.

“Na máscara e em tecidos a ação antiviral da molécula dura muito tempo. Os ensaios que fizemos mostraram que em até 12 horas de uso o composto continua ativo nesses materiais”, diz Durigon.

Produtos de higiene bucal

Antes da pandemia, os pesquisadores da Golden Technology também tinham começado a desenvolver, em parceria com a empresa Trials, uma linha de produtos de higiene bucal contendo a molécula, como pasta de dente, enxaguatório, spray e gel dental.

“A ideia era empregar as reações químicas de oxidação promovidas pela molécula para auxiliar na reparação de tecidos moles da boca, no tratamento de gengivite e na eliminação do mau hálito”, explica Fabiano Vieira Vilhena, proprietário da Trials.

Com o surgimento da pandemia de COVID-19, o foco dos ensaios clínicos mudou. Uma vez que o grupo do professor Durigon já tinha comprovado em culturas de células que a molécula é capaz de inativar o SARS-CoV-2, os pesquisadores decidiram avaliar se o enxaguatório bucal contendo o composto era capaz de diminuir a carga do vírus na saliva de pacientes infectados.

Os resultados de um dos primeiros estudos in vitro, conduzidos por pesquisadores da FOB-USP em parceria com colegas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu, mostraram que o antisséptico com o derivado de ftalocianina reduziu em 90% a carga do SARS-CoV-2 em amostras de saliva.

O trabalho foi publicado na revista Clinical, Cosmetic and Investigational Dentistry.

“Por meio desse estudo, conseguimos comprovar que a molécula é capaz de inativar o vírus na saliva”, diz Paulo Sérgio da Silva Santos, professor da FOB-USP e coordenador dos ensaios clínicos.

Com base em relatos na literatura de que a infecção pelo SARS-CoV-2 começa com a entrada e replicação do vírus na mucosa das regiões bucal e nasal, os pesquisadores tiveram a ideia de avaliar se a diminuição da carga viral na boca e na garganta por meio do bochecho e gargarejo do antisséptico bucal contendo o composto, na fase inicial da infecção, poderia contribuir para melhorar a resposta clínica dos pacientes com COVID-19.

“O contato e a colonização da mucosa bucal e nasal pelo SARS-CoV-2 ocorrem bem na fase inicial da doença. Depois de sete dias reduz muito a quantidade de vírus na boca. Portanto, a janela de oportunidade de efetividade do enxaguatório é no começo da infecção”, diz Santos.

A fim de avaliar essa hipótese, foi realizado um estudo clínico com 41 pacientes diagnosticados com COVID-19 por RT-PCR, com quadros leve ou moderado, internados no Hospital Estadual de Bauru em maio de 2020.

As análises indicaram que o tempo médio de internação do grupo de 20 pacientes que fizeram gargarejo e enxague com o antisséptico à base da nova molécula, cinco vezes ao dia e por um minuto até a alta hospitalar, foi significativamente menor em comparação com os que fizeram o mesmo procedimento usando um enxaguatório sem o ativo.

Os pacientes que usaram o enxaguatório contendo a molécula permaneceram, em média, quatro dias internados, contra sete dias dos que usaram o antisséptico sem a molécula. Além disso, o procedimento contribuiu para reduzir a gravidade dos sintomas.

Nenhum dos pacientes que fizeram o uso do enxaguatório foi para a UTI ou morreu. Em média, eles eram 15 anos mais velhos em comparação com os que não usaram o antisséptico com o ativo.

“Todos os pacientes receberam o mesmo tratamento hospitalar de cuidados padrão para COVID-19 preconizados pela OMS [Organização Mundial da Saúde], com a diferença de que o grupo de 20 pacientes fez uso do enxaguatório contendo a molécula”, diz Santos.

“Conseguimos verificar estatisticamente que o único fator que influenciou a diminuição do tempo de internação foi o uso do enxaguatório contendo a molécula”, afirma.

Tratamento adjuvante

Os pesquisadores pretendem fazer outros estudos para avaliar o tempo de ação (substantividade) do enxaguatório contendo a molécula na mucosa bucal.

A substantividade dos compostos usados nos antissépticos convencionais hoje, como a clorexidina – que não inativa o SARS-CoV-2 –, varia de oito a 12 horas. No caso da ftalocianina de ferro, ensaios preliminares indicaram que a molécula adere à mucosa bucal e tem efeito virucida por até duas horas e ação residual na orofaringe.

“Como a molécula tem o efeito de uma água oxigenada, mas que é produzida localmente em pequenas quantidades o tempo todo, a toxicidade é insignificante”, afirma Araki.

A empresa que irá comercializar o enxaguatório e outros produtos de higiene bucal contendo a molécula está readequando as fórmulas para obter os registros na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Caso os produtos sejam aprovados, a ideia é que possam ser usados como tratamento adjuvante, reduzindo a carga viral na fase inicial da infecção, enquanto o sistema imune se prepara para produzir anticorpos e combater o vírus.

“Com a diminuição da carga viral, a infecção será mais lenta, o que dará tempo para o sistema imune combatê-la. Quando começar a ter uma quantidade de vírus maior em outros tecidos que o enxaguatório não atinge, o sistema imune já estará ativo para combatê-los”, explica Durigon.

O artigo Virucidal activity of the antiseptic mouthwash and dental gel containing anionic phthalocyanine derivative: in vitro study pode ser lido na revista Clinical, Cosmetic and Investigational Dentistry em: www.dovepress.com/virucidal-activity-of-the-antiseptic-mouthwash-and-dental-gel-containi-peer-reviewed-fulltext-article-CCIDE.

E o artigo Beneficial effects of a mouthwash containing an antiviral phthalocyanine derivative on the length of hospital stay for COVID-19: randomised trial pode ser lido na revista Scientific Reports em: www.nature.com/articles/s41598-021-99013-5#citeas.
 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Simpósio de Inovações Biológicas e Biotecnológicas Aplicadas à Saúde

Pode ser uma imagem de texto que diz "X SIBBAS 2021 Bioinformática e suas Aplicações 26 de novembro, 16h30 Inscrições: forms.gle/qRb6BhGUuNy3y1948 ICBUSP Ciências Fundamentais para 16h30 Abertura Profa. Dra. Marilene Hohmuth Lopes (ICB-USP) 16h45 Inferência de Comunicação Celular A Partir de Dados Transcriptômicos Prof. Dr. Edroaldo Lummertz (UFSC) 17h45 o Papel da Bioinformática na Área de Pesquisa Translacional em Oncologia Me. Ramon Torreglosa (Sírio-Libanês) (Sírio 18h45 Intervalo 19h Reprodutibilidade na Bioinformática Dr. Fabiano Menegídio (UMC) 20h Usando Bioinformática para Investigar o Genoma e Transcriptoma Humano Prof. Dr. Pedro Galante (Sírio-Libanês) 山 21h Encerramento"

Simpósio de Inovações Biológicas e Biotecnológicas Aplicadas à Saúde (SIBBAS) é um evento científico realizado anualmente desde 2012 organizado por alunos do curso de Ciências Fundamentais para a Saúde (CFS) do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo.

Possui como objetivo difundir o conhecimento científico e atualizar alunos, professores e pesquisadores sobre as novas ferramentas que vêm sendo desenvolvidas e aplicadas nos diferentes âmbitos de pesquisas relacionadas com ciências biológicas e da saúde.

Sua décima edição será realizada no dia 26 de novembro e adotará o tema Bioinformática e suas Aplicações, para apresentar diferentes trabalhos desenvolvidos nesta área de pesquisa. A bioinformática é um campo interdisciplinar que integra biologia molecular, genética, ciência da computação, matemática e estatística. Graças às suas ferramentas computacionais, permite o tratamento de problemas biológicos que requerem a análise de um grande volume de dados, como sequências de DNA ou genomas inteiros, estruturas de proteínas e complexos de ácidos nucleicos e proteínas.

Inscreva-se em: https://forms.gle/qRb6BhGUuNy3y1948

Mais informações: https://sites.google.com/usp.br/xsibbas

Pesquisa identifica pontos no genoma relacionados ao suicídio

O International Suicide Genetics Consortium (ISGC), do qual o ICB é colaborador, realizou uma varredura genômica de cerca de um milhão de indivíduos – a maior análise sobre o comportamento suicida publicada até então. Foram identificadas duas variações genéticas, uma no cromossomo 6 e outra no c

Consórcio analisou amostras de quase 1 milhão de indivíduos, a maior análise já publicada sobre o tema. Por se tratar de um fenótipo muito complexo, muitas variantes genéticas ainda precisam ser descobertas para esclarecer os mecanismos biológicos envolvidos.


Um estudo do International Suicide Genetics Consortium (ISGC), do qual o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) é colaborador, identificou dois pontos no genoma humano que podem aumentar o risco de uma pessoa tentar o suicídio. Publicada na revista científica Biological Psychiatry, a pesquisa consistiu em uma varredura genômica em cerca de 1 milhão de indivíduos com e sem transtornos psiquiátricos, que tinham uma ampla avaliação de estados de saúde mental, e contou com a colaboração de mais de 260 pesquisadores ao redor do mundo. Foi a maior análise sobre comportamento suicida publicada até então.

Na avaliação primária, foram analisadas amostras de 30 mil indivíduos que tentaram ou cometeram suicídio e 520 mil controles. A partir disso, os pesquisadores encontraram duas associações que ultrapassaram um rigoroso limiar de significância. Essas associações envolvem uma variante genética intergênica no cromossomo 7, que ainda é pouco conhecida em termos de seu papel biológico, e outra no cromossomo 6, na região do MHC (Complexo Principal de Histocompatibilidade), local com muitos genes envolvidos na resposta imune, que já foi associado a transtornos psiquiátricos, como depressão e esquizofrenia.

“Depois, analisamos uma segunda amostra para verificar se os resultados se reproduziam em uma amostra de replicação – o que foi confirmado para a variante detectada no cromossomo 7. Esta envolveu 14 mil casos de tentativa de suicídio e 395 mil controles”, explica Diego Luiz Rovaris, coordenador do Laboratório de Genômica Fisiológica da Saúde Mental do ICB-USP e um dos colaboradores do estudo.

um fenótipo extremamente complexo, ainda é necessário identificar e analisar diversos outros pontos no genoma para esclarecer os mecanismos biológicos envolvidos. “Talvez precisemos de alguns milhões de casos e alguns milhões de controles para poder desvendar toda essa arquitetura”, afirma Diego Luiz Rovaris, coordenador do Laboratório de Genômica Fisiológica da Saúde Mental do ICB-USP e um dos colaboradores do estudo.

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Fonte: ICB/USP

Meeting on Cardiotonic Steroids and the Na+ Pump

Em parceria com quatro universidades federais, a USP realiza nos dias 19 e 20 de outubro a sexta edição do “Meeting on Cardiotonic Steroids and the Na+ Pump”.

O evento será todo em inglês e conta com oito palestrantes de diferentes regiões do mundo. As palestras, todas realizadas online, acontecem a partir das 10h, e é necessário se inscrever.

Inscrições e mais informações: https://doity.com.br/vi-meeting-on-cardiotonic-steroids-and-the-na-pump#registration

Fonte: ICB/USP